“O povo que andava na escuridão viu uma grande luz” (Is 9,1)

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“A Palavra eterna se fez pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Se fez criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós. Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré” (Bento XVI, Verbum Domini, 12).

O Príncipe da Paz quer renascer em nós e, com Ele, podemos também renascer para uma vida nova, orientada pela Palavra de Deus, jamais pelo ódio, divisões, mentiras e desinformação. Se Jesus vem ao nosso encontro precisamos encontrá-Lo no próximo e vivenciar o amor e a unidade: “Agora e em todos os tempos, Ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade” (Prefácio Advento I).

“Na realidade, só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente o mistério do homem” (GS, 22). A doutrina sobre a dignidade do ser humano se funda na Criação, Encarnação e Redenção. A dignidade humana, portanto, consiste em saber que Cristo, assumindo a nossa condição e redimindo a humanidade, está ao lado, isto é, unido a todos os homens e mulheres deste planeta, ainda que alguns não sejam conscientes dessa realidade e presença. “Em Cristo a natureza humana foi assumida e não destruída, por isso mesmo também em nós foi elevada a sublime dignidade. Porque, pela sua Encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem” (Ibid.).    

Somos todos irmãos! Logo, Natal é assumir o compromisso de humanizar nossas relações e toda a sociedade. Vamos assumir um compromisso concreto de tornar o próximo ano mais humano. Nesse tempo de avaliação, reflexão, agradecimento, encontros e formulação de bons propósitos para o próximo ano, cremos ser importante propor as seguintes interrogações: o que eu posso fazer para tornar 2022 um ano mais humano? Antes, o que eu fiz para tornar 2021 mais humano? Estou crescendo como pessoa humana ou me desumanizando em atos e atitudes destrutivas?

Precisamos fugir e evitar todas propostas, mensagens e atitudes que nos desumanizam.  O caminho da humanização não tem fim. Quanto mais humanos, mais tomamos consciência de que temos ainda um longo percurso de crescimento. “A busca da santidade não me torna menos humano porque é o encontro da minha fragilidade com a força da Graça” (Francisco, GE, n.34). A vida humana e espiritual tem por objetivo ajudar o ser humano a ser o que ele pode e deve ser: melhor. O ser humano pode se elevar, se plenificar, embora tenha consciência que a plenitude e completude está reservada para a vida eterna.

Ser melhor não significa ser completo e perfeito. Quanto mais somos humanos, mais nos aproximamos de Deus e da santidade. Quanto mais humanos, melhores seremos. Afinal, tudo aquilo que é verdadeiramente humano é também divino, pois Jesus assumiu a nossa condição humana no Natal que estamos celebrando. O mundo contemporâneo carece de humanismo. Fala-se muito em humanização no mundo da saúde, ciências, tecnologias, economia, política, trabalho, redes sociais, entre outros. Constata-se hoje um excesso de conhecimento e informação, porém pouco humanismo nas relações. A solidariedade e comprometimento com o semelhante potencializam nossa humanidade. Por isso, vejamos o que podemos fazer em âmbito pessoal, eclesial, comunitário e social para que 2022 seja um ano mais humano.  Para tanto precisamos ser mais humanos! “Semear a paz ao nosso redor: isso é santidade” (Francisco, GE, n.89).

Cantemos: “Só o amor, muda o que já se fez. E a força da paz junta todos outra vez... Se você começar outros vão te acompanhar” (Roupa Nova).

A ocasião permite externar, como Bispo Diocesano, um sincero agradecimento a todos e todas que, não obstante a pandemia e situações adversas, continuaram servindo à vida, fazendo o bem e vivenciando sua fé, em Cristo Vivo e Companheiro de caminhada.  Gratidão por todas as iniciativas de cuidado com a vida pessoal e do próximo, especialmente dos pobres e vulneráveis. Renovemos nossa esperança de dias melhores. Acolhemos Jesus com abertura de coração, rezando: Vem Senhor Jesus, fica conosco e nos torne mais humanos. Feliz Natal a todos e todas! Vamos em frente, de pé, no olhar da fé. Com minha benção, gratidão sincera e proximidade.

Nova Friburgo-RJ, 21 de dezembro de 2021

Dom Luiz Antonio Lopes Ricci
Bispo Diocesano de Nova Friburgo


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