Na noite do dia 21 de abril, na Sala Dom Helder Câmara, aconteceu o encontro dos bispos afrodescendentes, marcado por reflexão, escuta e compromisso com a caminhada da Igreja no Brasil. A reunião teve como foco a atualização do Documento 88 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que trata da Pastoral Afro-Brasileira e de sua efetiva implementação nas dioceses.
O Documento 88, publicado originalmente em 2007, tornou-se uma referência importante ao reconhecer a presença, a contribuição e os desafios vividos pela população negra no contexto eclesial e social. Inspirado pelo Evangelho e pela opção preferencial pelos pobres, o texto buscou valorizar a identidade afro-brasileira, combater o racismo e promover uma Igreja mais inclusiva, fiel à dignidade de todos os filhos de Deus.
A Pastoral Afro-Brasileira nasce nesse horizonte, como expressão concreta do compromisso evangelizador da Igreja junto às comunidades negras. Ao longo dos anos, tem desenvolvido ações de formação, celebração e conscientização, resgatando a memória, a espiritualidade e a cultura afro, sempre em comunhão com a vida litúrgica e pastoral das dioceses.
A atualização do documento representa um passo significativo diante dos novos desafios sociais e culturais do país. Entre os pontos debatidos no encontro, destacam-se a necessidade de fortalecer a presença da Pastoral Afro nas dioceses, ampliar a formação dos agentes pastorais e aprofundar o diálogo com as questões contemporâneas relacionadas à justiça racial, à dignidade humana e à evangelização inculturada.
O texto atualizado será apresentado ao Conselho Permanente da CNBB até fevereiro do próximo ano. A previsão é que seja submetido à Assembleia Geral dos Bispos em 2027. Caso aprovado, o novo documento será publicado pelas Edições CNBB, oferecendo orientações renovadas para toda a Igreja no Brasil.
Para a Diocese de Nova Friburgo, esse processo é motivo de esperança e renovação. Reafirma-se, assim, o compromisso com uma Igreja que reconhece a riqueza da diversidade cultural e se empenha na construção de uma sociedade mais justa, fraterna e verdadeiramente evangélica.