Ordenação Presbiteral acontecerá em Missa pelos 60 anos de consagração da Diocese à Imaculada Conceição

Diocese de Nova Friburgo, 23 de maio de 2022
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Em 27 de maio de 2022, a Diocese de Nova Friburgo vivenciará o momento ápice do Mês Mariano Diocesano: a renovação de sua Consagração à Imaculada Conceição, padroeira principal da Diocese. A renovação acontecerá em Santa Missa realizada na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Cordeiro, às 19h.

 

Para tornar esta cerimônia ainda mais singular, acontecerá a Ordenação Presbiteral do Diácono Transitório, César Gomes Agostinho Junior, pela imposição das mãos e oração consecratória do Bispo Diocesano, Dom Luiz Antonio Lopes Ricci. A Santa Missa contará com a presença do clero diocesano, familiares e amigos do ordenando. A ordenação será transmitida AO VIVO pelas redes sociais da Paróquia Nossa Senhora da Piedade e da Diocese de Nova Friburgo (Facebook).

Diác. César Gomes Agostinho Junior nasceu em 13 de janeiro de 1992. É fruto da Paróquia Nossa Senhora Piedade, em Cordeiro, da qual participou de encontros de jovens e foi direcionado ao Seminário Diocesano Imaculada Conceição, para o início de sua caminhada vocacional. Também vivenciou parte de sua formação no Seminário Internacional Bidasoa, em Pamplona – Espanha.

Em 12 de dezembro de 2021, Dia de Nossa Senhora de Guadalupe, aconteceu sua Ordenação Diaconal, realizada na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Cordeiro. Desde então, vem se preparando para a sua Ordenação Presbiteral. O lema escolhido para seu sacerdócio é “Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus” (Fl 2,5)

 

Testemunho do Diácono César

 “Meus pensamentos não são vossos pensamentos, e vossos caminhos não são os meus caminhos. Quanto os céus estão acima da terra, tanto meus caminhos estão acima dos vossos caminhos, e meu pensamento acima dos vossos pensamentos” Isaías 55,8-9. A vocação é realmente algo que muitas vezes nos desconcerta em algum momento de nossas vidas. Para alguns, desde pequeno, desejam ser um sacerdote. Para outros, ser sacerdote é algo que jamais pensaram para si, porém em um momento concreto das suas vidas, emerge um protagonista que é capaz de dar novo sentido à vida de uma pessoa: Deus.

Eu não me enquadro no primeiro grupo, aqueles que desde pequenos sempre desejaram ser um sacerdote, pelo contrário, foi algo que jamais tinha imaginado que poderia sequer algum dia pensar em ser a minha vocação. Porém, como diz o profeta Isaías, nossos caminhos não são os caminhos de Deus, e nossos pensamentos não são como os pensamentos de Deus. Meu sonho era constituir uma família e ser jogador de futebol. A realizar este sonho foi que dediquei a minha juventude.

Quando estava no campo treinando, quando jogava na minha equipe tudo para mim fazia sentido, era feliz percorrendo este sonho. Jamais pensei que algum dia poderia perder a alegria de jogar futebol. Para minha surpresa, o inesperado aconteceu. Fiz a experiência de ir a um retiro da igreja e encontrar-me com Deus. A partir desta experiência, tudo mudou. Pouco a pouco fui percebendo que a alegria que encontrava no treinamento e na minha equipe de futebol foi se perdendo, realidade essa que relutei muito em aceitar, e comecei a perceber que o lugar que me fazia feliz já não era o gramado, mas sim a Igreja. Aquilo que saciava a minha sede de felicidade já não era ver concretizado um sonho, ser jogador de futebol, mas sim pertencer totalmente a uma pessoa: Deus.

O desejo de pertencer totalmente a Deus foi algo que ia crescendo pouco a pouco na minha vida, porém, só o fato de pensar que talvez Deus me chamasse a abraçar a vocação sacerdotal, me deixava assustado. Não foi fácil descobrir a vocação sacerdotal e ainda mais difícil foi dizer sim a Deus. Fazer a experiência de “perder” para Deus, de aceitar que a felicidade não está em ver realizado os nossos sonhos, mas sim, na aceitação rendida à vontade de Deus, que para nós é algo que nos desafia e, às vezes, queremos até mesmo fugir e seguir os nossos sonhos como se nada tivesse acontecido conosco. Sentimos medo, duvidamos e queremos ser nós mesmos o guia das nossas vidas. Aqui foi quando aprendi que a vocação não é uma decisão nossa, mas sim de Deus. Recebemos a vocação de Deus e o que podemos fazer é acolhê-la ou não.

Diante da grandeza de um chamado que é a vocação sacerdotal, o que Deus espera daqueles que são chamados é que cultivem a vocação, ou seja, que nos convencemos que vale a pena entregar a vida a Nosso Senhor, que vale a pena pertencer totalmente a Ele, sem reservas. Para isso, é necessário fazer-se pequeno, porque somente as pessoas humildes é que deixam o coração aberto para que Nosso Senhor as convença de tão grande dom que é ser chamado por Ele para essa vocação. Diante do chamado de Deus, vemos que os nossos pensamentos não são como os pensamentos de Deus. Humanamente falando, quem confiaria a missão de ser conhecido a simples pescadores? A verdade é que as eleições de Nosso Senhor nos surpreendem, nos desconcertam, porque, contrário ao que podemos imaginar, Ele não escolhe os melhores. Ele, em sua divina sabedoria, escolhe instrumentos débeis para assim manifestar a sua força. Caso contrário, pareceria que a grandeza da vocação está em quem é chamado quando, na realidade, a grandeza da vocação está em quem chama: Deus!

Essa é a minha vocação, um jovem que jamais havia pensado em ser sacerdote, porém, em um momento concreto da minha vida, a partir de um retiro, Deus, com seu protagonismo, entrou na minha vida e mudou tudo. Relutei muito em deixar de lado meus sonhos e quis eu mesmo escolher os meus caminhos. Até que depois de tanto relutar aceitei “perder” para Deus.

Hoje, quando olho para minha história vocacional, continuo a me surpreender com as escolhas de Deus. De fato, como diz São Paulo, “trazemos um tesouro em vasos de barro” (2 Cor 4,7). De um lado, a grandeza da vocação sacerdotal. Por outro lado, a fragilidade daqueles que são chamados por Deus a tão grande dom. Mas uma coisa é certa, ser sacerdote é ser chamado a ser feliz, muito feliz, e a permitir que o Bom Pastor possa remodelar constantemente o nosso barro, a nossa vocação, concedendo-nos até duas, três, quatro, setenta vezes sete oportunidades de recomeçar a entender que ser sacerdote é sinônimo de ser feliz.

Testemunho: Diácono César Gomes Agostinho Junior

 

Texto:Grasiele Guimarães
Foto:Grasiele Guimarães

 


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