Bispo Diocesano preside Missa pelo V Dia Mundial dos Pobres, em Nova Friburgo

Diocese de Nova Friburgo, 23 de novembro de 2021
Acessos: 176


Na manhã do domingo (14/11), o V Dia Mundial dos Pobres, houve a Santa Missa na Diocese de Nova Friburgo nesta intenção, presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Luiz Antonio Lopes Ricci. A Missa aconteceu na Casa dos Pobres São Vicente de Paulo, em Nova Friburgo. Instituído pelo Papa Francisco em sua Carta Apostólica Misericordia et Misera, de 20 de novembro de 2016, na conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, o Dia Mundial dos Pobres exorta à Igreja a "sair" para encontrar a pobreza nas várias formas em que ela se manifesta no mundo moderno e estender a mão aos mais necessitados.

 

Para esta quinta edição foi adotado o tema “Sempre tereis pobres entre vós” (Mc 14,7).  Realizada desde 2017, a data, que sempre antecede a Festa de Cristo Rei, acontece no penúltimo domingo do ano litúrgico, o 33° do tempo comum. É um convite a nos assemelharmos ao Cristo que se fez pobre e amá-lo, amando também aqueles que estão à margem da sociedade. No Brasil foi celebrada a V Jornada Mundial dos Pobres, com o tema: “Sentes compaixão?”, e uma série de ações que englobaram gestos concretos, atividades on-line, entre outras iniciativas, marcaram a vivência deste tempo no país.

Recebido com muita alegria pelos residentes, Dom Luiz Antonio iniciou a Santa Missa agradecendo a calorosa acolhida. Dando continuidade à celebração iniciou a pregação. “Que bom estarmos reunidos hoje, participando desta Santa Missa no dia do Senhor, na V Jornada Mundial dos Pobres. Quero agradecer a Deus a oportunidade de estar aqui com vocês, nesta Casa dos Pobres. Quero agradecer a Deus o sinal que é essa casa da misericórdia, da providência de Deus aqui na cidade de Nova Friburgo, por vocês que aqui estão, são mais de 130 residentes. Agradeço de coração os funcionários, as religiosas, os benfeitores e colaboradores desta casa”, disse.  

- Estando aqui, como Bispo Diocesano, não posso deixar de agradecer tantas iniciativas pastorais que se colocam diretamente no serviço à vida, na promoção à vida. São tantas pastorais, iniciativas, grupos, voluntários que incansavelmente e com muita bondade e generosidade, no silêncio essas pessoas se colocam a serviço da vida. São tantos! Aqui nesta casa, na Diocese, na Igreja, quantas pessoas voluntariamente se colocam a serviço da vida e dos pobres. Então, em meu nome, em nome da Igreja agradeço a todos que de uma maneira ou de outra colocam os seus dons, seu tempo, a serviço da vida. Deus ama os pobres e ama aqueles que se colocam a serviço destes – afirmou.

O Sucessor dos Apóstolos também enfatizou que existe mais alegria em dar do que em receber. Na oportunidade, recordou que Jesus se fez pobre, nasceu pobre, se identificou com os pobres, e completou. “Se colocar a serviços dos pobres é se colocar a serviço de Jesus. Se queremos servir a Deus precisamos servir aos pobres. Jesus disse: eu tive fome, tive sede, estava doente... Jesus se identifica com os pobres. Ir até os pobres é ir ao encontro de Jesus. Se queremos encontrar Jesus, o lugar privilegiado é os pobres, pois eles evangelizam. E como diz o Papa na mensagem para este dia: ‘os pobres nos ajudam a ser pessoas melhores’. Eles nos ajudam a permanecer na estrada da humildade, da generosidade e da partilha”.

 

Dom Luiz Antonio também destacou as diferentes iniciativas que surgiram em meio à pandemia, para ajudar às pessoas em situação de vulnerabilidade social. Muitos levaram o pão de cada dia aos irmãos. “Sabemos que a pandemia além de ter produzido mais de 610 mil mortes no Brasil, ela também produziu um aumento na pobreza, no desemprego, no sofrimento. Então, temos muito o que fazer”.

O Epíscopo abordou ainda a temática para esse Dia Mundial dos Pobres.

- Jesus disse: ‘sempre tereis pobres entre vós’ (Mc 14,7). Esse é o tema desta V Jornada. Jesus se fez pobre e Ele está nos chamando a atenção para não ficarmos indiferentes, pois, às vezes vamos nos acostumando com a pobreza, com a dor, com o sofrimento. Jesus quer vida e vida com dignidade para todos...  Esse texto do Evangelho (Mc 14,7) é para que estejamos abertos, tenhamos partilha, sensibilidade, escuta, amor, disponibilidade. Para que não sejamos pessoas indiferentes. Tem muitas pessoas sofrendo. A Igreja fez uma opção preferencial pelos pobres. Não é uma questão ideológica, pois tem muita gente sofrendo, mas é uma opção cristológica, Jesus fez essa opção e a Igreja, fiel a Jesus, procura responder com amor ao amor recebido, se colocando a serviço da vida, sobretudo dos mais pobres e vulneráveis.

Continuando a reflexão, o Bispo esclareceu a diferença entre a pobreza evangélica e a pobreza social.

- Uma coisa é a pobreza evangélica, somos chamados a viver com humildade, simplicidade, é um convite para todos. Hoje, temos uma sociedade marcada pelo consumo, pelo ter. A pobreza evangélica é ter o necessário para viver com dignidade e saber partilhar... Pobreza evangélica é colocar Jesus em primeiro lugar. Ele é o primeiro amor... Essa pobreza evangélica é para todos nós. Jesus se fez pobre. Hoje temos tanta ostentação, tanto desperdício, poucos com muito e muitos sem nada. Já essa é a pobreza social. A pobreza evangélica é um convite que Jesus faz para todos, já a pobreza social, material, Deus a quer, pois, a pobreza material produz morte, fome, desemprego, sofrimento, dor, angústia, doença, tribulação... Somos contra a pobreza social e a favor da vida -refletiu.

- Fiquemos atentos ao que cada um pode fazer para amenizar a dor do outro. Quando dizemos que pobres sempre tereis não falamos só da pobreza material. Temos a pobreza emocional, a pobreza espiritual, afetiva. Então, o que Jesus está dizendo? Além de cuidar da pobreza material e lutar contra ela, precisamos estar atentos aos sofrimentos das pessoas. Tem muita gente sofrendo, muitos sofrem por não ter comida e emprego, mas também têm muitos que têm comida e emprego e sofrem também! Precisamos estar atentos, sempre haverá perto de nós algum tipo de sofrimento. Por isso, Jesus diz: pobres sempre tereis. Ele é O pobre, Ele está sempre conosco – acrescentou.

Mencionando o Papa Emérito Bento XVI, em sua encíclica: Deus é amor, continuou com a reflexão. “Ainda que tivéssemos uma sociedade justa, quase perfeita, sempre haveria algum tipo de sofrimento que vai necessitar da nossa presença... Sempre haverá alguém que precisa de nós, da nossa ajuda”.

 

Ao final da Santa Missa as Irmãs Vicentinas preparam junto aos residentes uma expressiva encenação, que motivou os ali presentes a mergulharem ainda mais na proposta do Santo Padre para o Dia Mundial dos Pobres. Devido à proximidade ao Dia de Nossa Senhora das Graças, celebrado em 27 de novembro, houve ainda a coroação da imagem da Virgem da Medalha Milagrosa.

Texto:Grasiele Guimarães
Foto:Grasiele Guimarães

 


Compartilhe