Dom Luiz Antonio preside Missa da Solenidade de Finados 2021

Diocese de Nova Friburgo, 09 de novembro de 2021
Acessos: 116


Na manhã da Solenidade de Finados, celebrada em 2 de novembro, o Bispo Diocesano, Dom Luiz Antonio Lopes Ricci, presidiu a Santa Missa na Catedral Diocesana São João Batista, em Nova Friburgo. Concelebraram os Padres Jorge Eduardo Coimbra do Almo, Vigário Geral da Diocese, e Pe. Marcus Vinícius Muros, Vigário Paroquial da Catedral.  A cerimônia foi transmitida ao vivo pelas redes sociais da Diocese.

 

“Estamos reunidos no amor de Cristo em torno do altar para oferecermos o sacrifício de Cristo, a Santa Missa, na intenção de todos os nossos falecidos. Trazemos no coração, com muita gratidão, a vida dos nossos irmãos e irmãs que já estão juntos de Deus e intercedem por cada um de nós”, declarou o Bispo no começo da celebração.

“Quando celebramos Finados olhando para Jesus Ressuscitado, vencedor da morte, renovamos a nossa esperança na vida eterna”. Dita esta grande verdade, o Sucessor dos Apóstolos iniciou a pregação recordando o quanto devemos lembrar com gratidão daqueles que já fizeram a sua Páscoa.

- Além de recordar os nossos falecidos com saudade, precisamos recordar com muita gratidão no coração, porque essas pessoas fizeram parte da nossa história, deixaram para nós um legado de amor, passaram pela nossa vida e nós tivemos o privilégio de conviver com essas pessoas que já estão junto de Deus, e que junto Dele intercedem por nós. Nossa fé cristã fala da comunhão dos santos. Então, esse é um dia de agradecimento! Recorde os seus falecidos com gratidão no coração! Agradeça a vida dessas pessoas que já estão junto de Deus. O que foi a vida dela aqui na terra? Se durou pouco ou muito, não importa. O que importa é que hoje essa pessoa está vivendo junto de Deus – refletiu.

Dom Luiz Antonio recordou que não é fácil acolher a irmã morte, pois temos o costume de tirar o tema da morte do nosso horizonte. “Quando começamos a falar de morte alguém diz: ‘vamos mudar de assunto’. Às vezes, vivemos como se não fossemos morrer, nos enganamos... A nossa vida é temporal. A eternidade é a vida com a ausência do tempo no colo de Deus, no abraço e na presença Dele”.

O Bispo também enfatizou que celebrar Finados é recordar os nossos falecidos, sem deixar de olhar também para a nossa vida. “É um dia de reflexão, não de tristeza, mas de saudade! Dia de renovação na esperança da vida eterna... Nosso Deus é um Deus da vida e não da morte. Essa é a nossa esperança. Jesus venceu a morte. ‘Deus quer enxugar as nossas lágrimas, por isso enviou seu filho para nos salvar’.

Recordou aos partícipes o sentido da vida de cada um e indagou-os sobre qual o propósito da vida de cada um.

- Estou neste mundo fazendo a diferença ou estou apenas para desfrutar a vida, para viver como se houvesse o amanhã? Há pessoas que estão muito apegadas ao passado. Outras, com uma ansiedade muito grande em relação ao futuro e outras que vivem só o presente, como se não houvesse passado e nem futuro, pensam que a vida se esgota só no presente. Não, nós temos uma história! Por isso, recordamos os falecidos, vamos ao cemitério para recordar as nossas raízes, nossa história. Como é importante recordar os nossos falecidos, para que não percamos a nossa identidade e memória. Também temos futuro: a vida eterna, nossa esperança. Quando vivemos bem, nesse sentido de olhar para o passado e para o futuro, viveremos bem o presente. Se vivemos o presente sem perspectiva de futuro ou sem nenhuma relação com o passado, nos enterramos no próprio presente. O presente é a presença de Deus em nossa vida. Será que estou sendo presença, sinal de luz no mundo?

O Epíscopo também acrescentou. “Penso que a celebração de Finados nos provoca. Como anda a nossa vida? Estou sendo um bom cristão, uma pessoa humana, autêntica, cultivando os valores, disseminando o amor? Estamos neste mundo para ser expressão de amor”. E, recordando os ensinamentos de São Francisco de Assis, completou. “São Francisco tinha profunda intimidade com a morte, chamava tudo de irmão, também a irmã morte, que é aquele momento no qual faremos o nosso encontro definitivo com o Senhor da vida, o próprio Jesus irá nos acolher. Ele é o bom Pastor, prepara para nós uma mesa”.

 

Citando as palavras de Santo Agostinho, disse. “Deus nos criou sem nós, mas não nos salvará sem nós. Fomos criados fruto do amor de Deus, mas a salvação também depende da nossa resposta. Lógico, a salvação nos foi dada pelo sangue de Cristo derramado, mas precisamos corresponder a esse amor, vivendo bem a nossa vida”. Concluindo a pregação lembrou à comunidade que as intenções por todos os falecidos que celebramos neste dia estão no altar. Por fim, convidou todos a colocarem os seus dons a serviço da vida.

Nos instantes finais da Santa Missa leu uma mensagem escrita por Santo Agostinho.

 

A morte não é nada

A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho. Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo. Me dêem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram. Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador. Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos. Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim. Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo. Sem nenhum traço de sombra ou tristeza. A vida significa tudo o que ela sempre significou. O fio não foi cortado. Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas? Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho... Você que aí ficou, siga em frente... A vida continua, linda e bela como sempre foi. (Santo Agostinho)

 

Antes da bênção final, fez a leitura de uma frase da poesia de autoria do Pe. João Machado Evangelho, que faleceu no último dia 23 de outubro, em decorrência de complicações da Covid-19. ‘Talvez seja o último dia da minha vida, não porque passo pela morte, mas porque prossigo pela vida. Viver é sempre meu último dia!’.

Texto:Grasiele Guimarães
Foto:Grasiele Guimarães

 


Compartilhe