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A Verdade vos tornará livres


Diante de uma sociedade cada vez mais influenciada e polarizada por notícias falsas e discursos de ódio, faz-se oportuno partilhar a atualidade da Mensagem do Papa Francisco para o 52° Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 13 de maio de 2018, com o lema " A Verdade vos tornará livres (Jo 8,32) - Fake news e Jornalismo da paz", a qual dividimos em dez pontos:

  1. "A comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão", afirma o Papa. Exalta a capacidade humana de expressão, compartilhamento e construção de sua própria memória.
  2. Porém, o egoísmo é um sentimento destrutivo, capaz de distorcer a comunicação e a verdade, em prol de um bem individual ou de um grupo.
  3. Um tema a ser refletido são as "fake news" - as notícias falsas, que são "notícias" verossímeis - aquilo que parece intuitivamente verdadeiro, mas não é. São capazes de chamar a atenção dos leitores e receptores, usando estereótipos e preconceitos generalizados. Exploram emoções como ansiedade, desprezo, ira e frustração e se difundem, em sua maioria, nas redes sociais, onde ganham visibilidade e tornam seus danos irreparáveis.
  4. As notícias falsas, segundo o Pontífice, visam objetivos prefixados - como influenciar opções políticas e favorecer lucros econômicos. Geram ambientes digitais de confronto, de descrédito do outro, que passa a ser visto como um inimigo. Uma demonização que pode fomentar conflitos. Devem ser erradicadas em uma corrente de conscientização das pessoas que interagem com este conteúdo.
  5. O drama da desinformação gera intolerância, arrogância e ódio e as fake news seguem a "lógica da serpente", como na narração do pecado original, como figura de confusão e tentação para o homem e para a mulher. "Este episódio bíblico revela assim um fato essencial para o nosso tema: nenhuma desinformação é inofensiva; antes, pelo contrário, fiar-se naquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos".
  6. Comunicar a verdade: O Papa Francisco manifesta o desejo de uma contribuição para a prevenção da difusão destas notícias falsas e para a redescoberta do valor da profissão jornalística e da responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade." O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade". Considera louváveis as iniciativas que ensinam os homens e mulheres como avaliar o conteúdo comunicativo e a não serem divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores de seu desvendamento. Valoriza também as iniciativas institucionais e jurídicas neste objetivo.
  7. O homem descobre sempre mais a verdade quando a experimenta em si mesmo como fidelidade e fiabilidade de quem o ama. "O melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga de um diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem", explicita o Vigário de Cristo.
  8. Jornalismo de paz: o Papa direciona a mensagem aos jornalistas que, segundo ele, são obrigados por profissão a ser responsáveis ao informar. Como guardiães das notícias, não desempenham apenas uma profissão, mas uma verdadeira e própria missão, "tem o dever de lembrar que no centro da notícia não estão a velocidade em comunicá-la, nem o impacto sobre a audiência, mas as pessoas. Informar é formar; é lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz".
  9. Francisco convidou os profissionais de comunicação a promover um jornalismo de paz que não negue a existência de problemas graves, mas que, pelo contrário, não use de fingimentos, seja hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas. Um jornalismo a serviço das pessoas que não se limite a queimar notícias, mas que se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, favorecendo a compreensão das raízes e empenhado em indicar soluções e alternativas.

10.Termina com uma oração inspirada na oração franciscana da paz: "Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz. Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão" (trecho da oração final da mensagem).


Nova Friburgo-RJ, 22 de maro de 2022


Pe. Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça
Chanceler da Diocese de Nova Friburgo


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