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De um padre, uma homenagem


Quero falar a partir do que sei, do que vi e experimentei, por isso, quando falo em primeira pessoa não interprete como pedantismo, mas como testemunho de uma verdade vivida.

Nascido poucos dias antes do nascimento do meu pai, a sete de março de 1956, tendo, portanto, idade e gabarito para ser, não só meu pai, mas meu mestre, como o foi de muitos nestas terras friburguenses, Padre Genival Nunes Fernandes decide deixar um vazio em nossos corações ao retornar para sua terra.

Presença silenciosa e muitas vezes divertida é marca de sua personalidade. Quantas vezes “choramos de rir” dentro da sala de aula, em sua pregação ou numa conversa informal. Com um sotaque típico nordestino, por sinal belíssimo, nunca cedeu espaço para o chiado “carioquês”, como que querendo dizer: “não me arranque de minhas origens senão pego na minha peixeira”.

As inúmeras funções que exerceu com tanto carinho demonstraram sua envergadura e fundura de seu caráter. Somos testemunhas disto, inclusive eu, pois convivi com ele na Mitra Diocesana, e não foram poucas as vezes que pude ver seu esmero pela verdade.

É um mestre espiritual, sem dúvida, porque conhece os mestres espirituais, mas também porque sabe escutar e falar. Todas as vezes que estive diante dele na confissão ou orientação espiritual, sentia como se estivesse próximo a alguém que sabe suspender os juízos e, portanto, não dar respostas prontas. Numa palavra, caminha junto com o penitente sabendo que está diante de uma pessoa única.

Só de ordenação possui quase o tanto que eu de idade, 37 anos. Ordenou-se, como ele mesmo disse em determinada ocasião, para ajudar todo tipo de pobre, mas enriqueceu a muitos com sua erudição.

Décimo sexto filho de uma família com dezessete irmãos, vai voltar para o nordeste, mas por aqui deixará saudades e uma família espiritual mais numerosa que a de suas origens. Não voltará para Riacho de São Bento, em Juazeirinho, na Paraíba, onde nasceu, contudo, retornará para descansar de sua labuta como um autêntico filho espiritual de São Bento, cuja Regra aconselha que, em seus anos mais longevos, o monge possa recolher-se numa vida pacata e dedicada à oração.

 

E, por fim, creio que posso falar por todos os padres e amigos: desejamos, do fundo do nosso coração, um retorno feliz na certeza de que Padre Genival completou a sua carreira em nossa diocese. Sem dúvida, somente por aqui, pois queremos vê-lo bem, vivendo longos anos com saúde no corpo e na alma. Desejamos, sobretudo, aquela alegria do céu, a espiritual, que ninguém pode dar a não ser Deus. Pela intercessão da Virgem Imaculada, a quem entregamos nosso querido amigo, pedimos que todos os sonhos de santidade que ele possui no coração não sejam frustrados, porém realizados conforme a ação divina na infinita misericórdia de Jesus.


Nova Friburgo-RJ, 11 de janeiro de 2022


Pe. Celso Henrique Macedo Diniz
Administrador Paroquial da Paróquia Santo Antônio e Cristo Ressuscitado (Prado)


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