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A proximidade de Deus


“Alegrai-vos sempre no Senhor!” (Fl 4, 4.5) É com este imperativo que a liturgia celebra o terceiro domingo do Advento. Este tempo preparatório para a grande festa do Natal, traduz-se num convite à alegria e a renovar as nossas esperanças. A expetativa do nascimento do menino Deus reforça a expetativa que de vivermos tempos alegres.  

Mas qual é o motivo dessa alegria?

Estamos vivendo tempos muito difíceis. Quanta dor, quanto sofrimento, quantas incertezas... A dureza das situações inesperadas tende a nos roubar a alegria do coração e enfraquecer a nossa fé. Somos levados a considerar a vida como um conjunto de golpes de fatalidades sem nenhum sentido.

Contudo, a esperança cristã nos ensina que, mesmo em meio a tanto sofrimento e incertezas, o Senhor se faz próximo. Celebrar o Natal é celebrar a certeza de que não estamos sozinhos.

A alegria de que fala o Apóstolo tem um fundamento sólido. Ela não se apoia nas coisas passageiras: notícias agradáveis, saúde, tranquilidade, situação econômica desafogada, etc. As dificuldades são uma realidade com a qual temos que contar. Todos estamos a mercê de contratempos.

O próprio Senhor, ao assumir nossa condição humana, enfrentou a dor e o sofrimento. Acompanhamos neste tempo a angústia dos seus pais por não encontrarem um lugar para o seu nascimento. Reclinado em uma manjedoura, cercado por animais e pessoas humildes, o Menino Deus enfrentou o perigo de morte e precisou fugir da violência que lhe ameaçava.

Quanta proximidade! Neste tempo somos chamados a olhar as necessidades dos que nos rodeiam e, num gesto de fraternidade e responsabilidade, procurar reduzir e/ou sanar as dores desta sociedade marcada pelo egoísmo gerador do ódio e divisão.

Todos os dias vemos pais que sofrem por não poderem dar condições de vida digna a seus filhos. E tantos outros que precisam se esconder da violência que os assolam.

Inspirado pelo capítulo 3 do Evangelho de Lucas motiva-nos o Santo Padre: “Perguntemo-nos também nós: o que é bom fazer por mim e pelos irmãos? Como posso contribuir para o bem da Igreja, para o bem da sociedade? O Tempo de Advento serve para isto: parar e perguntar-nos como preparar o Natal. Estamos ocupados com tantos preparativos, com dons e coisas que passam, mas perguntemo-nos o que devemos fazer por Jesus e pelos outros! O que devemos fazer?” (Angelus, 12 dez. 2021).

Continuando a reflexão, o Papa Francisco pede que, nestes dias que se aproxima o Natal, deixemo-nos incomodar por este questionamento: como posso fazer a minha parte? Somos chamados a assumirmos um compromisso concreto, mesmo que pequeno, que se ajuste à nossa situação de vida, e levemo-lo a cabo para nos prepararmos para este Natal.

Somos chamados a sermos neste mundo a proximidade de Deus. Cada gesto nosso deve traduzir o amor de Deus para com toda a humanidade. Sejamos a força da alegria que vence o ódio. Sejamos a resistência da esperança que desfaz as estruturas engessadas da injustiça.


Nova Friburgo-RJ, 13 de dezembro de 2021


Pe Aurecir Martins de Melo Junior
Assessor Diocesano da Pastoral da Comunicação


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