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Pacto Educativo Global


Educar é um ato eminentemente humano e participação na obra redentora. O poder transformação da educação é a principal arma que podemos usar no enfrentamento da lógica estéril e paralisadora da indiferença. “Torna-se necessária uma educação que ensine a pensar criticamente e ofereça um caminho de amadurecimento nos valores” (Evangelium Gaudium, 64).

O Papa Francisco, atento às urgências de nosso tempo, lançou em 2019 um convite ao diálogo sobre a forma como estamos construindo o futuro da humanidade. A iniciativa do “Pacto Educativo Global” intenta promover o caminho educativo de amadurecimento de uma solidariedade universal e uma sociedade mais acolhedora.

Isso requer audácia e comprometimento de todos.  Assim, provoca o Pontífice: “Sejamos parte ativa na reabilitação e apoio das sociedades feridas. Hoje temos à nossa frente a grande ocasião de expressar o nosso ser irmãos, de ser outros bons samaritanos que tomam sobre si a dor dos fracassos, em vez de fomentar ódios e ressentimentos” (Enc. Fratelli tutti, 77).

A proposta lançada por Francisco tornou-se ainda mais urgente com as consequências da pandemia da Covid-19, que acentuou a disparidade de oportunidades educacionais e tecnológicas, a ponto de constituir-se uma “catástrofe educativa”.

Esta catástrofe denunciada pelo Papa diz respeito a milhões de crianças que se viram obrigadas a abandonar a escola por causa da dificuldade de acesso aos meios tecnológicos. Em nosso Estado, segundo a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc-RJ), mais de 80 mil estudantes afastaram-se da escola.

Unem-se duas urgências. Superar as dificuldades socioeconômicas que tendem afastar os alunos das escolas e promover uma educação capaz de reavivar o compromisso para e com as novas gerações, renovando a paixão por uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de ouvir com paciência, de diálogo construtivo e de compreensão mútua.

Neste sentido, o Santo Padre propõe uma mudança precisa na caminhada educativa de modo que envolva a todos. E conclama a construção de uma “aldeia da educação”, onde, na diversidade, se partilhe o compromisso de gerar uma rede de relações humanas e abertas (cf. Mensagem do Papa Francisco para o lançamento do Pacto Educativo Global).

O Papa Francisco adverte ainda que “a educação é, sobretudo, uma questão de amor e responsabilidade que se transmite, ao longo do tempo, de geração em geração. Por conseguinte, a educação apresenta-se como o antídoto natural à cultura individualista.” (Papa Francisco, videomensagem, 15 out. 2020). Deste modo, é responsabilidade de todos encontrar soluções, iniciar, sem medo, processos de transformação e olhar para o futuro com esperança.

Ouvindo o convite do Santo Padre, sejamos protagonistas da transformação mundial, assumindo o compromisso pessoal e comunitário de cultivar, juntos, o sonho de um humanismo solidário, que corresponda às expectativas do homem e ao desígnio de Deus.


Nova Friburgo-RJ, 16 de novembro de 2021


Pe Aurecir Martins de Melo Júnior
Assessor Diocesano da Pastoral da Comunicação


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