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A alegria do bem agir e a paz espiritual


Não está claro para muita gente o que gera paz e o que ela é, de fato. O Senhor Jesus lamenta por Jerusalém, dizendo: “Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz!” (Lc 19,42). Com certeza, o primeiro passo para a paz pessoal completa é compreender de onde ela procede. Digo paz pessoal porque não quero refletir, aqui, sobre a paz social e, sim, a paz interior, da qual podem nascer tantas outras.

Um bem precioso é, sem dúvida, a consciência tranquila diante do dever cumprido. Qual o seu estado de vida: casado ou sacerdote; consagrado ou solteiro? Qual sua profissão: médico, empregada doméstica, advogado, dentista, construtor, funcionário público? Por mais que seja duro, cumprir todas as obrigações do seu estado trará o gosto e o prazer do dever cumprido. Isso pode gerar calma e serenidade, além de inspirar confiança àqueles ao seu redor. Podemos chamar esse tipo de paz de "a alegria do bem agir", como certa vez ouvi um padre amigo refletir.

Quanto sorriso vejo no cansaço de quem trabalhou o dia inteiro e o ano todo com honestidade, mesmo diante dos exemplos contrários ao seu redor. Mas, atenção: essa alegria é paulatina e acumulativa! Ou seja, é gerada com o tempo e a perseverança no bem. Não dá para adquiri-la nos primeiros anos de ofício e só é possível senti-la depois de ter a alma experimentada na tentação da desistência, já que a compreendemos melhor pelo contraste com situações que poderiam relativizar a importância do nosso esforço ético.

Entenda: em um contexto de imediatismo onde as pessoas burlam os passos que deveriam dar a cada dia para chegarem a algum lugar e, com isso, perdem a noção de processo e paciência, você e eu somos tentados a uma espécie de auto sabotagem onde, na mínima contrariedade, caímos no desalento e nem sequer nos damos a chance de sermos provados na tentação da desistência, cuja finalidade é nos fortalecer para o próximo passo. A dica é: seja forte e queira passar pela prova que te fortalece, cumprindo, passo a passo, o seu dever diário. A paz virá, tenha certeza!

E para que saibamos que bem precioso é a paz, em um segundo momento, deveríamos refletir sobre a alegria espiritual dos santos, a qual provém da união mística com Jesus e está muito acima do que experimentamos como a “alegria do bem agir”. Por hora, basta compreender que, por mais que você experimente o dom de uma consciência tranquila, há sempre melhores e maiores patamares onde se pode chegar, pois o espírito humano aspira ao infinito. Então, não se canse de fazer bem o bem que deve realizar. Bom trabalho!


Nova Friburgo-RJ, 10 de agosto de 2021


Pe. Celso Henrique Macedo Diniz
Administrador Paroquial da Paróquia Santo Antônio e Cristo Ressuscitado


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