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A alegria do amor na família


"Dá e recebe, e alegra a ti mesmo" (Sir 14,16).

Com este título como tema e com este lema bíblico, se apresenta a Semana Nacional da Família 2021, com os subsídios e reflexões da Comissão Nacional da Pastoral Familiar da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que aproveita a motivação do lançamento do Papa Francisco do Ano Amoris Laetitia, comemorativo dos cinco anos de sua Exortação Apostólica de mesmo nome (A alegria do Amor). Desta forma, o ensinamento do Sucessor de Pedro se estende de forma mais popular às dioceses do país, envolvendo diversas pastorais, especialmente a Pastoral Familiar, grupos, associações religiosas, educacionais e culturais, atualizando a importância da missão da comunidade familiar, primeira escola das virtudes humanas e cristãs, santuário do Amor e da Vida, Igreja doméstica e protagonista na evangelização.

Como afirma o Pontífice, "... o Evangelho da família é uma alegria que enche o coração e a vida inteira" (AL 200). A família é chamada a ser evangelizadora de si mesma, aberta missionariamente depois a tantas outras famílias em situações tão diversas de necessidades espirituais, psicológicas, sociais... É a base para a formação e renovação de toda a sociedade. Por isso, a grande urgência de uma preparação mais sólida e consistente da estrutura familiar nos princípios humano-cristãos, desenvolvendo as virtudes do amor fraterno, da honestidade, da justiça, entre outras, na comunhão e sensibilidade na construção conjunta do Bem comum, na maturidade e segurança de uma paternidade e maternidade, capaz de não só de gerar os filhos biologicamente, mas de educá-los integralmente, gerando-os também espiritualmente, na alegria e liberdade do autêntico amor, conforme o exemplo de Cristo.

Nesta direção, se organiza a Pastoral Familiar de nossa Igreja, nos seus três setores: o Pré-matrimonial,  oferecendo encontros e atividades de preparação dos casais para a vida conjugal, na profundidade do Sacramento do Matrimônio, um catecumenato familiar, compreendendo e vivenciando as suas propriedades essenciais de unidade-fidelidade e indissolubilidade,  formando-se misticamente para as finalidades da aliança divina que são o bem dos cônjuges, no amor da comunhão de vida toda e a geração e educação dos filhos, fruto deste "ser uma só carne"; o Pós-matrimonial, fornecendo instrumentos de formação e  perseverança da família em sua vocação e missão basilar, apoiando, acompanhando e ajudando a resgatar o sentido e a dignidade dos matrimônios e uniões familiares, no fortalecimento para enfrentar os inúmeros desafios do mundo atual; e o setor de Casos especiais, dedicando-se às situações difíceis e de necessidades diferenciadas, de forma singular os casais em segunda união que devem ser acolhidos, acompanhados, apoiados, integrados no amor misericordioso de Jesus, sem juízos  ou tratamento generalizado, mas com uma fraterna pastoral de formação espiritual, na vivência e participação eclesial progressiva, dentro da sua situação particular, avaliada caso a caso pelo pároco, Bispo e padres assessores, analisando-se sempre a possibilidade da introdução de um processo de nulidade matrimonial no Tribunal eclesiástico.

Em todo o trabalho da Pastoral Familiar está o amor pastoral do coração de Cristo, que vai ao encontro das ovelhas, especialmente as mais afastadas e feridas, acolhe-as onde estão e como são, ama-as profundamente com o olhar de sua compaixão e misericórdia, mostra o seu grande valor em sua dignidade fundamental de filhos de Deus, fortalece-as com a riqueza e sentido libertador de sua Palavra, nutre-as com a sua graça, promove-as no espírito da verdade na caridade como discípulas, alegra-as e impulsiona no carisma missionário, enviando-as depois na alegria de quem, amado e liberto, se doa com generosidade para amar e libertar, para pregar a Boa Nova e comunicar o amor. É o dar e receber, alegrando-se a si mesmo. O receber e o dar, no dom da partilha-missão.

Nesta linha, está pautada a iluminada a Amoris Laetitia, em que o Papa reafirma este pastoreio do Senhor, chamado fundamental e exigência da graça da nossa consagração batismal, tendo como seu primeiro campo de vivência a comunidade familiar. Por isto, bem se situa a Semana Nacional da Família no mês em que a Igreja celebra todas as vocações, como a grande família de Deus. A nossa Comissão Pastoral Diocesana Vida e Família preparou uma boa programação, com Missas, com a palavra do Bispo Diocesano D. Luiz Ricci, participações e partilha de reflexões pela internet sobre este tema. Acompanhe pelas redes sociais da diocese e bons frutos!


Nova Friburgo-RJ, 10 de agosto de 2021


Pe. Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça
Assessor Eclesiástico da Pastoral Familiar da Diocese de Nova Friburgo


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