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Vocação à família


Tradicionalmente a Igreja no Brasil celebra o mês de agosto como o Mês das Vocações. O objetivo desta prática é separar um tempo durante o ano para a reflexão e conscientização das comunidades acerca da sua responsabilidade e importância no processo vocacional de cada pessoa. Assim, em cada domingo deste, celebra-se uma forma de vocação específica.

Ao contrário do que muitos podem pensar, quando a Igreja reflete sobre o tema da vocação, ela não se restringe somente à vocação religiosa e sacerdotal. O que pouco se conhece é que a Igreja reconhece e incentiva como vocação fundamental a vocação leiga, principalmente no exercício da missão sacerdotal.

A célula base da sociedade é a família. E é nela que se forma o indivíduo que com seu agir construirá o futuro. Todo sacerdote, todo religioso, toda religiosa, todo consagrado, todo pai, toda mãe, todo profissional da Saúde e da Educação, infinitamente todos os agentes sociais foram formados no seio de uma família, e dela receberam os valores que reproduzem no mundo. O seio familiar é a base para a construção da nossa identidade, valores e vocações. Nela damos os primeiros passos de vida em comunidade e, sobretudo, nela nos deparamos com as principais questões que vão formar quem somos.

O Diretório Pastoral Familiar da CNBB – 79 esclarece que homem e mulher são chamados a viver a comunhão de amor à imagem de Deus-Trindade impressa no ser humano desde a sua criação. Aí está a razão fundamental de sua dignidade. Este Diretório pontua ainda que o matrimônio, desde a criação do homem e da mulher, é projeto de Deus, obra predileta nesse seu projeto de amor. Não é criação humana, nem do Estado, nem da Igreja. Está constitutivamente ligado à essência do homem e da mulher, para o bem pessoal e da comunidade.

Acentua também que as duas finalidades do matrimônio previstas na Bíblia são: de um lado, a realização plena de cada um, homem e mulher, tanto na sua dimensão corpóreo-sexual quanto na sua realidade afetiva e espiritual; e, de outro, a geração e educação dos filhos (cf. n. 45-71). Quanto à tarefa formativa dos filhos, o Diretório ressalta que o pai e a mãe devem assumir o compromisso mútuo e complementar, numa pedagogia que junta a firmeza e disciplina do homem e a ternura e amabilidade da mulher. Por isso, “O pai não pode descuidar seus deveres de educador com a desculpa de que sua função é trabalhar para sustentar a casa ou de que tarefa da educação dos filhos é responsabilidade da mãe ou de algum parente” (n.128).

Na Exortação Apostólica Amoris Laetitia, sobre o amor na família, o Papa Francisco, atento às necessidades e urgências das famílias no mundo contemporâneo, propõe à humanidade apreciar os dons do matrimônio e da família e a manter um amor forte e cheio de valores como a generosidade, o compromisso, a fidelidade e a paciência; e encoraja todos a serem sinais de misericórdia e proximidade para a vida familiar (cf. n. 5).

Deste modo, ao iniciar o mês das vocações, busquemos dar o devido destaque e valor à vocação familiar, a qual todos somos chamados à cultivar e proteger com afinco e devoção.


Nova Friburgo-RJ, 03 de agosto de 2021


Pe Aurecir Martins de Melo Junior
Assessor Diocesano da Pastoral da Comunicação


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