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A Eucaristia e a partilha do pão!


"Dai-lhes vós mesmos de comer”. (Mt 14,16)

Na Solenidade de Corpus Christi deste ano somos chamados a, além de contemplar Jesus vivo entre nós na Eucaristia, ter o olhar para os sofredores do nosso tempo pandêmico. A nossa diocese está nos convidando a partilhar o pão material com nossos irmãos que estão privados do alimento material.

A Eucaristia é o alimento espiritual de nossa caminhada para Deus como foi o maná que alimentou o povo de Deus por quarenta anos, a caminho da Terra Prometida. (Ex 8,2-16). Esse maná era apenas uma figura do verdadeiro “pão vivo descido do céu”, que quem comer “viverá eternamente” (Jo 6,51). Hoje para se viver com dignidade está difícil para muitos irmãos!

São Cirilo de Jerusalém disse que após a Comunhão, somos “Cristóforos”, portadores de Cristo. Se somos o sinal de Jesus para o mundo, precisamos nos compadecer daqueles que são nossos irmãos e que estão carentes do necessário para alimentar o seu corpo. Precisamos levar o alívio aos corações como o próprio Senhor nos diz: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28).

A maneira mais fácil de acolher esse convite amoroso do Senhor é na Eucaristia, e esta deve nos levar a enxergar quem está próximo de nós com fome!  O Senhor nos acolhe sempre e assim precisamos acolher os nossos irmãos... Devemos estar abertos às dores de muitos irmãos nesse tempo de pandemia. Comungar requer de nós esta abertura e sensibilidade. Não podemos ser insensíveis à dor do mundo.

O nosso Papa Emérito Bento XVI, em sua primeira encíclica, disse que, “Deus nos amou primeiro”, e que, então, amar a Deus e aos irmãos já não é apenas um mandamento, mas uma necessária retribuição de amor de nossa parte. Por isso, insisto em dizer que nossa amizade com Jesus Eucarístico deve nos levar à vivência do amor que se traduz em gestos concretos e um deles é a partilha do pão material com quem está privado.

O querido Papa Francisco, em uma das suas audiências públicas sobre a Eucaristia, assim se expressou: “A Eucaristia nos torna fortes para dar frutos de boas obras para viver como cristãos”. Esses frutos recebidos na Eucaristia devem nos levar a ser homens e mulheres comprometidos com o fruto da partilha, num tempo onde se impera a ganância, o ódio e o egoísmo ao tirar proveito de tudo. Continua nos exortando a ser: “a comunidade eucarística, comunicando-se com o destino de Jesus Servo, torna-se "serva".

O "servir" deve ser a marca de todo aquele que verdadeiramente se compromete com a Eucaristia, que recebe Cristo Vivo em cada Missa. Se faz necessário levarmos o bálsamo do amor misericordioso de Deus a quem está com fome.

Vou concluindo com o Pontífice que nos chama a ver a Sagrada Eucaristia como centro da vida eclesial e como fonte de uma “cultura eucarística”, capaz de inspirar todos nós fiéis à solidariedade, à paz, à vida familiar e o cuidado com a criação. 

Que a Eucaristia nos ajude em nosso processo de conversão do nosso coração e de mudança da sociedade e da Igreja como samaritana. Amém!

Graças e louvores se deem a todo momento, ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!


Nova Friburgo-RJ, 01 de junho de 2021


Pe. Marcelo Campos da Silva
Vigário Episcopal do Norte e Pároco da Paróquia São José (São José do Ribeirão)


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