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Um com todos


Estamos enfrentando uma das maiores crises da contemporaneidade. Não digo isto em referência apenas à pandemia da Covid-19 e à crise econômica que ela desencadeou. Está afirmação tende a ser mais abrangente. Todos os dias nos deparamos com situações que revelam o quanto há de maldade em nós e no meio em que estamos inseridos.

É muito comum ouvirmos justificativas sobre a atual situação culpabilizando o sistema, a cultura, o governo, a população. A responsabilidade torna-se uma verdadeira “batata-quente”.

O ato de transferir a culpa é bastante antigo. No livro do Gênesis, ao ser questionado pelo motivo de ter comido o fruto proibido, Adão transfere a culpa para a mulher, Eva por sua vez para a serpente (cf. Gn 3, 11-13).

Contudo, esta dinâmica não muda nada, ao contrário somente tende a agravar ainda mais as divisões e os conflitos.

Não se pode esquecer, em momento algum, de que todo ato humano exercido em sua individualidade tem uma dimensão de abertura para Deus e para o próximo. Disto, concluímos que o pecado tem como consequência a ruptura com Deus e com os irmãos.

Cada indivíduo, no exercício de suas funções, tem a responsabilidade de zelar pelo bem, pela paz e pela vida. Também faz parte de sua missão cuidar para que as estruturas sociais não percam a dimensão da verdade, bondade e comunhão.

O Papa Emérito Bento XVI ao analisar os desvios e o esvaziamento de sentido vividos pela sociedade hodierna, aponta o humanismo integral como única solução. “Só um humanismo aberto ao Absoluto pode guiar-nos na promoção e realização de formas de vida social e civil – no âmbito das estruturas, das instituições, da cultura, do ethos – preservando-nos do risco de cairmos prisioneiros das modas do momento” (Caritas in veritate, 78).

O enfrentamento da crise social deve começar pelo questionamento de cada indivíduo sobre sua forma de ação na vivência comunitária. É absurdo o modo como alguns indivíduos, no afã de defender suas ideologias, torcem para que falhem ações que tendem ajudar a outrem. Como também são absurdas as manifestações de alegria quando algo da errado.

Assim, o Papa Francisco além reforçar a prática do humanismo integral, aponta o diálogo construtivo como ferramenta fundamental para enfrentar os conflitos e divisões. “Entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma opção sempre possível: o diálogo. O diálogo entre as gerações, o diálogo com o povo, a capacidade de dar e receber, permanecendo abertos à verdade”.

Mais uma vez, cabe a reflexão proposta pela quinta edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica, a qual nos convida, pela prática do diálogo fraterno, a construir pontes ao invés de muros de separação. É hora de todos nós assumirmos nosso lugar no enfrentamento da crise atual, exercendo com responsabilidade, diálogo e justiça a missão de ser um com todos.


Nova Friburgo-RJ, 23 de maro de 2021


Pe Aurecir Martins de Melo Junior
Coordenador Diocesano da Pastoral da Comunicação


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