Acessos: 53

“Eu vim pra que todos tenham vida” (Jo 10, 10)


Há quase um ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarava que o surto causado pelo vírus SARS-CoV-2, popularmente conhecido como novo Coronavírus, identificado numa província da República Popular da China, havia adquirido proporção mundial.

Desde então, somos testemunhas de todos os esforços para combater a doença que se alastrava por todo o globo terrestre. Todas as atenções e preocupações voltavam-se à batalha de preservação da vida e aos colapsos sociais agravados pela pandemia.

Tornou-se evidente que estamos imersos numa rede viciosa de interesses na qual valores como a dignidade humana, o bem comum e a preservação da vida estão sendo, cotidianamente, massacrados pela corrupção e pelo descaso.

Já no início da pandemia, o Papa Francisco denunciava as ações que poderiam agravar ainda mais a situação, advertindo que deveriam ser enfrentadas com o mesmo vigor com que se propunha enfrentar o novo Coronavírus.

“A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades. Mostra-nos como deixamos adormecido e abandonado aquilo que nutre, sustenta e dá força à nossa vida e à nossa comunidade” (Mensagem Urbi et Orbi, 27 mar. 2020).

O Pontífice tem insistido que a crise mundial deve ser encarada com os anticorpos da fé, esperança e caridade. Somos chamados a exercer nosso protagonismo na luta.

Apesar de todos os esforços da comunidade científica em se mobilizar no desenvolvimento da vacina, a grande massa parece não se importar com a crise e os perigos enfrentados pela humanidade.

É isso mesmo, não se pode apontar apenas um culpado para o agravamento da doença e para as incomensuráveis perdas causadas pelo vírus. De certo que cada qual deve ser responsabilizado no que diz respeito à sua função na organização da sociedade.

Sem dúvidas, o discurso negacionista levou muitos a desacreditar da gravidade da doença. Entretanto, até mesmo entre os que são conscientes da seriedade da situação atual, movidos pela falta de constância, se vê atitudes irresponsáveis.

O texto bíblico do livro do Gênesis revela que uma das consequências do pecado é o isentar-se da responsabilidade. “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto, e eu comi... A serpente enganou-me – respondeu ela – e eu comi” (Gn 3, 12.13).

É hora de deixar de apontar culpados e assumir nossa responsabilidade nesta luta. Tenho falado insistentemente que os pequenos atos podem salvar inúmeras vidas. A prevenção sempre será mais eficaz que o tratamento.

Retomemos, portanto, como aponta Francisco, aquilo que sustenta, nutre e dá vida à nossa comunidade. Na caridade fraterna cuidemos daqueles que nos foram confiados para que em breve possamos juntos celebrar a vitória da vida sobre a morte.


Nova Friburgo-RJ, 26 de janeiro de 2021


Pe Aurecir Martins de Melo Junior
Coordenador Diocesano da Pastoral da Comunicação


Compartilhe