Acessos: 79

“Estai sempre alegres!” (1Ts 5,16)


Esta semana a liturgia da Igreja celebrou o ‘Domingo Gaudete’, conhecido como o domingo da alegria. Isto inspirado pelas palavras do Apóstolo Paulo na segunda leitura: “Estai sempre alegres!” (1Ts 5,16).

É verdade que, à primeira vista, estas palavras nos incomodam profundamente. Questionamentos como: não posso me entristecer? Como ser alegre o tempo todo com tudo isto que está acontecendo ao nosso redor? São apenas alguns dos vêm em nossa mente.

Quando nos deparamos com a limitação da nossa condição humana e/ou com as dores e sofrimentos é comum, e até normal, nos entristecermos e nos abatermos. Estes sentimentos não são contrários à alegria de que fala São Paulo. Ela é capaz de sobreviver, inclusive, em meio às dificuldades. Ela subsiste sempre! É compatível com a dor, com a doença, com o fracasso e as contradições. Não é uma alegria qualquer!

O Papa Francisco advertiu, em uma de suas homilias, que a alegria deve ser a respiração do cristão. Mas, esclareceu: “a alegria não é viver de risada em risada. Não, não é isso. A alegria não é ser engraçado. Não, não é isso. É outra coisa. A alegria cristã é a paz. A paz que está nas raízes, a paz do coração, a paz que somente Deus pode nos dar. Esta é a alegria cristã. Não é fácil preservar esta alegria” (28 de mai. 2018).

As dificuldades sempre estarão presentes em nossas vidas. Contudo, estas contrariedades não podem nos roubar a alegria. Elas são uma realidade com a qual temos que conviver. E nossa alegria não pode ficar à espera de dias sem contratempos, sem tentações e dores.

O Santo Padre ao falar sobre a santidade no mundo atual, lembrou que “existem momentos difíceis, tempos de cruz, mas nada pode destruir a alegria sobrenatural, que ‘se adapta e transforma, mas sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que nasce da certeza pessoal de, não obstante o contrário, sermos infinitamente amados’. É uma segurança interior, uma serenidade cheia de esperança que proporciona uma satisfação espiritual incompreensível à luz dos critérios mundanos” (Gaudete et exultate, 125).

A alegria verdadeira tem um fundamento sólido, não se apoia em coisas passageiras: notícias agradáveis, saúde, tranquilidade, situação econômica desafogada e tantas outras. Estas, sem dúvida, são coisas boas, mas não podem garantir a alegria eterna do coração. É preciso descobrirmos todos os dias que a base sólida da alegria de que nos fala o Apóstolo é a certeza de que o Senhor está sempre perto de nós.

Assim, só “poderemos estar alegres se o Senhor estiver verdadeiramente presente na nossa vida, se não o tivermos perdido, se não tivermos os olhos turvados pela tibieza ou pela falta de generosidade” (Falar com Deus I, p.78).

Em muitas ocasiões, principalmente em tempos difíceis como este que vivemos, é necessário nos dirigir a Deus num diálogo íntimo e sincero, abrindo nossa alma com toda confiança no Deus que se fez próximo de nós, que tocou a nossa dor. Nesta relação de amor e confiança encontraremos a fonte da verdadeira e eterna alegria.

“Ainda um pouco de tempo – sem dúvida, bem pouco –, e o que há de vir virá e não tardará” (Hb 10,37) e com Ele chegarão a paz e a alegria!


Nova Friburgo-RJ, 08 de dezembro de 2020


Pe Aurecir Martins de Melo Junior
Coordenador Diocesano da Pastoral da Comunicação


Compartilhe