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A esperança que não decepciona


Seguindo nossa reflexão sobre o Tempo do Advento somos chamados a olhar com atenção e esperança o momento crítico da história que estamos vivendo. Assim como os povos ansiavam a vinda do Messias para libertá-los do poder das trevas e do pecado e de toda opressão, esperamos ansiosos pela celebração do Natal e pela superação da crise mundial gerada pelo novo coronavírus.

É verdade que temos inúmeras razões de termos medo e incertezas. Por vezes nos encontramos afogados no desespero da falta de perspectiva de futuro. A pandemia dilacerou o tecido social, destruiu sonhos, desfez projetos. Quantas perdas sofremos: alguns perderam familiares, amigos e a saúde. As chagas de nossa sociedade tornaram-se ainda maiores. O desemprego em massa causando a fome, expondo e exacerbando as desigualdades.

Unido a este quadro, ainda enfrentamos o crescente número de violência, em muitas ocasiões praticada dentro dos próprios lares. As guerras pelo poder de dominação continuam devastando países inteiros e suas populações, elevando a níveis absurdos os números de pessoas que são obrigadas a deixar sua terra natal em busca de asilo em outras nações.

Na mensagem para o Natal, o Conselho Mundial de Igrejas nos fez recordar que celebrar a encarnação do Verbo Divino é renovar a fé na certeza de que Deus se importa e vem ao encontro de nossas dores e fragilidades.

“A situação em que vivemos, marcada pela pandemia, gera em muitas pessoas preocupação, medo e desânimo; corremos o risco de cair no pessimismo, no fechamento e na apatia. Como devemos reagir a isto? O Salmista sugere-nos: ‘Nossa alma espera pelo Senhor, é ele o nosso auxílio e o nosso escudo. Nele se alegra o nosso coração’ (Sl 32,20-21). A espera confiante do Senhor faz-nos encontrar conforto e coragem nos momentos sombrios da existência. E de onde nasce esta coragem e esta aposta confiante? Nasce da esperança” (CONSELHO Mundial de Igrejas, Mensagem de Natal).

Não podemos nos esquecer que é nas horas mais sombrias de nossa história que encontramos conforto e esperança na Boa Nova do nascimento do Salvador de Belém. Na espera do Natal, esforcemo-nos por redescobrir e valorizar a grande esperança e alegria que nos dá a vinda do Filho de Deus ao mundo. Na certeza de que temos um Deus que nos ama e se faz próximo, compartilhando de nossas dores.

Mas não nos esqueçamos: a esperança não pode ser estática! No momento crítico atual, se faz ainda mais urgente nossa atenção e cuidado com os que nos são próximos. A pandemia não acabou. Ao contrário, os últimos números nos mostram que é necessário cautela e determinação na prática das orientações das autoridades de saúde.

Unamos à esperança nosso compromisso de cuidar dos que nos são próximos “para que o medo dê lugar à alegria e que, neste ano de tristeza, solidão e sofrimento, ela possa trazer esperança, coragem e amor a serviço da justiça e da paz” (CMI, Mensagem de Natal).

Seguimos, assim, as palavras do Papa Francisco: “Para sair de uma pandemia, é preciso cuidar-se e cuidar uns dos outros. (...) Cuidar é uma regra de ouro da nossa condição humana, e traz consigo saúde e esperança. Cuidar dos doentes, dos necessitados, dos abandonados: esta é uma riqueza humana e também cristã” (Audiência Geral, 16 set. 2020).


Nova Friburgo-RJ, 01 de dezembro de 2020


Pe Aurecir Martins de Melo Junior
Coordenador Diocesano da Pastoral da Comunicação


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