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Setembro Amarelo


Desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria, em parceria com o Conselho Federal de Medicina, organiza nacionalmente o “Setembro Amarelo”. A culminância desta efeméride é o dia 10 deste mês, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

De acordo com o site oficial da campanha, “são registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Trata-se de um triste fato, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias”.

O Papa Francisco, com sua proximidade e preocupação com as dores da humanidade que lhe são peculiares, sempre manifesta sua inquietação com este fenômeno, sobretudo com o grande número de jovens vítimas desta trágica realidade social. Para o Pontífice, o principal motivo é a falta de perspectiva. “Não conseguem sentir-se úteis. Outros jovens não têm a coragem de enfrentar o suicídio, mas procuram uma alienação intermediária nas dependências, e hoje a dependência é uma fuga desta falta de dignidade”. (Mensagem do Papa no Dia de Prevenção do Suicídio, 10 set. 2020)

O Santo Padre ainda alerta para o drama enfrentado pelas famílias, uma vez que diante de um mundo cada vez mais desumano as situações de usura são recorrentes, aumentando sem medida o sofrimento e angústia no seio familiar. “E muitas vezes, no desespero, quantos homens acabam no suicídio porque não aguentam, não têm esperança, não têm uma mão estendida que os ajude, mas só uma mão que os obriga a pagar os juros”. (Papa Francisco, 10 set. 2020).

Outra situação que se descortina em nossas vidas é o drama da pandemia. Quantas pessoas veem suas certezas desmoronarem, tantas expectativas traídas... o sentimento de abandono nos aperta o coração. O Papa Francisco nos faz recordar que Jesus não nos abandona e nos motiva à ‘Coragem! Abramos o coração ao amor de Deus!

Este tema nos faz ver e entender o quanto somos responsáveis uns pelos outros e pela construção de um mundo melhor, mais justo e fraterno. Vivemos tão fechados em nossos interesses, em nossas preocupações, em nossos lucros, que nos esquecemos que o maior tesouro que possuímos é nossa vida e a dos nossos irmãos.

O sofrimento da vida é, por vezes, tão pesado que se torna impossível carregá-lo sozinho. É preciso criar ambientes de escuta e de fala. Lugares seguros onde a dor e os sentimentos dos outros sejam respeitados e valorizados.

São João Paulo II nos ensinou que a família é a base da sociedade e o lugar onde as pessoas aprendem, pela primeira vez, os valores que os guiarão durante toda a vida. Por isso, é importante que os jovens e as crianças encontrem dentro do seu próprio lar condições para o diálogo.

Sendo irmãos comprometidos com a dor um dos outros permitiremos que a consolação de Deus sustente toda a humanidade. (Papa Francisco, 10 set. 2020).


Nova Friburgo-RJ, 21 de setembro de 2020


Pe Aurecir Martins de Melo Junior
Coordenador Diocesano da Pastoral da Comunicação


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