Advento: tempo de reconciliação e de paz

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Caros amigos, aproxima-se a grande festa do nascimento de Jesus, o Príncipe da Paz. No itinerário de nossa vida, celebramos este acontecimento que marcou a história da humanidade.

A fé cristã nos ensina que a celebração do Natal não se resume a fazer memória do fato histórico. É festejar a certeza de que o nascimento do menino Deus em Belém nos fez nascer para uma vida nova, e que devemos preparar nossos corações para que o Reino de Paz e Verdade encontre lugar em nosso tempo.

O Papa Francisco, no Angelus do último domingo (15 dez. 2019) lembrou que o Advento é um tempo de graça e de purificação da fé. Faz-se urgente vivermos este tempo renovando os propósitos de ultrapassar os limites impostos pelo pecado e zelar pelo Bem Comum buscando a paz.

A união entre os homens não pode ser negligenciada e alimentada somente pelas efemérides de nosso calendário. Ela deve ser expressão e fruto de nossa união com Deus, nega-la provoca a divisão e a intolerância entre os semelhantes.

Somos concordes que queremos viver em harmonia com todos. Entretanto, não é raro perceber que também cultivamos sentimentos e ações que não combinam com este ideal.

A Palavra de Deus exorta: “Procurai a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12,14) e “mantende um bom entendimento uns com os outros” (Rm 12, 16). Quando não enxergamos o próximo sob a perspectiva de Deus, mas pelas “lentes” de nossos próprios interesses, ferimos esta paz.

É sempre difícil conviver com as diferenças e, no entanto, este é nosso ambiente natural. Portanto, a paz com os vizinhos, com os amigos e, sobretudo, na família não é puramente resultado dos elementos convergentes de nossos ideais e comportamentos, mas do mútuo entendimento, da tolerância e do amor recíproco. Em suma, a concórdia fraterna é sempre um esforço, uma meta, uma missão!

Somos chamados a promover a paz! Como nos ensina nosso Redentor: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9) e ainda: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é a maneira do mundo que eu a dou” (Jo 14, 27). A verdadeira paz tem sua raiz na comunhão da Trindade Divina. Por isso, precisamos também dizer que não é possível a autêntica comunhão fora da justiça e da verdade.

 “Jogai fora o velho fermento, para que sejais uma massa nova, já que sois ázimos, sem fermento. De fato, nosso cordeiro pascal, Cristo, foi imolado. Logo, celebremos a festa, não com o velho fermento da maldade e da iniquidade, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade” (ICor 5, 7-8).

Assim como a vida em comunhão parece ser um ideal querido no coração, e, muitas vezes, negado nas ações, também a veracidade sofre semelhante contradição. Ninguém gosta de ser enganado, contudo, é comum a mentira aparecer como escudo dos interesses particulares. Um artifício frágil e ineficaz, porém, muito utilizado.

A paz advinda do engano não durará para sempre. Somente será perene aquela fundamentada na fortaleza de dizer, procurar e viver a verdade. Promover uma “paz de aparências” não é virtude, é vício! O verdadeiro pacífico é aquele que se deixa vencer pela verdade, que a procura em seu caminho e a encontra no Senhor, mesmo que à custa de uma radical mudança de vida.

Desejo a todos um Feliz e Santo Natal de Paz!

Nova Friburgo-RJ, 17 de dezembro de 2019

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo Diocesano de Nova Friburgo


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