Caminho de Salvação

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Caros amigos, vivemos um contexto em que o modo comum de pensar diminui, ou mesmo condena, toda e qualquer instituição que zela pelo bem e pela verdade. Por isso, é tão comum perceber discursos e comportamentos que tentam denegrir a importância da fé para a construção de um mundo mais justo e fraterno.

Um olhar atento à eclesiologia nos faz compreender que vivemos um tempo novo dentro da História da Salvação. O tempo da Igreja é o tempo do Espírito Santo. Pois nele vislumbramos o plano de Deus para a humanidade e uma profunda coerência com toda a história da salvação.

O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, ao legislar sobre a natureza e missão universal da Igreja atentou para uma questão de capital importância para os tempos nos quais vivemos: Ela é “o sacramento, sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano” (n.1).

O documento conciliar, apoiado na Sagrada Escritura e na Tradição, destaca que o único mediador e caminho da salvação é Cristo, que se faz presente no Seu corpo, que é a Igreja, concluindo que a Igreja peregrina é necessária para a salvação.

A partir disso, o Concílio ressalta o valor da fé e do batismo (cf. Mc. 16,16; Jo. 3,15) para a salvação. É importante, porém, ratificar que a doutrina católica não está falando de uma espécie de “grêmio dos salvos”, um “passaporte para o céu”. A Constituição Dogmática adverte que “não se salva, embora incorporado à Igreja, aquele que, não perseverando na caridade, permanece no seio da Igreja ‘com o corpo’, mas não ‘com o coração” (n. 14).

Neste sentido, o Papa Francisco adverte que “é muito difícil lutar contra a própria concupiscência e contra as ciladas e tentações do demónio e do mundo egoísta, se estivermos isolados. A sedução com que nos bombardeiam é tal que, se estivermos demasiado sozinhos, facilmente perdemos o sentido da realidade, a clareza interior, e sucumbimos” (Gaudete et exultate, 140).

A tendência moderna de negar qualquer tipo de instituição, dá a impressão de que este modo de proceder garante a “liberdade” da pessoa. O que não se percebe é que a vida se torna uma busca às cegas, sem nenhuma preocupação de encontrar a “verdade”, única capaz de nos tornar livres (cf. Jo 8, 32).

Preocupado com o rumo que a humanidade tem tomado, o Santo Padre denuncia o risco do neo-pelagianismo em que o homem, radicalmente autónomo, pretende salvar a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos irmãos.

Não é incomum encontrar ambientes onde se nega a necessidade e o valor da Igreja, apesar de pretenderem afirmar Jesus Cristo.

Este modo de proceder nega a vontade de Jesus Cristo que quis fundar a Igreja. São Paulo VI, de feliz memória, na encíclica Evangelii Nuntiandi afirmou categoricamente que a tarefa de anunciar o evangelho é própria da comunidade eclesial. E essa tarefa não se realiza sem ela e, menos ainda, contra ela. Quem começa por negar a Igreja, terminará diminuindo o valor de Jesus Cristo, até negá-lo também (cf. n.16).

Ao ver a Igreja, sua multidão de fiéis, sua história, suas obras de caridade, seus consagrados – desde as vocações mais seculares, até as mais contemplativas – vemos que Deus se faz presente na realidade. Como cabeça, caminha, sofre e se alegra com os seus membros.

Se buscamos segurança e liberdade, sejamos ativos membros da Igreja, purificando-nos todos os dias de nossos erros, levantando a bandeira de Cristo e exaltando à Igreja, que é a amada Esposa do Cordeiro.

Nova Friburgo-RJ, 22 de outubro de 2019

Dom Edney Gouvêa Mattoso
Bispo Diocesano de Nova Friburgo


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