Faze-te ao largo (Lc 5, 4)

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Caros amigos, abrindo hoje o mês de outubro, tradicionalmente um tempo em que a Igreja dedica especial atenção ao tema da missão, lembramos as palavras do Papa Francisco  durante o Dia Mundial das Missões no ano passado, ao anunciar sua intenção de proclamar um Mês Missionário Extraordinário: “Exorto todos a viver o júbilo da missão dando testemunho do Evangelho nos ambientes onde cada qual vive e trabalha”.

A iniciativa do Papa vai ao encontro da urgente necessidade de “despertar em maior medida a consciência da missio ad gentes (lit. missão para os povos) e, ao mesmo tempo, retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral.

Este tema é recorrente no Magistério de Francisco, que sempre em suas exortações lembra o valor da vivência do Evangelho no dia-a-dia, encarnado na cotidianidade da vida social da comunidade cristã.

O cristão é chamado a empenhar-se concretamente nas realidades terrenas, mas iluminando-as com a luz que deriva de Deus. A confiança prioritária em Deus e a esperança nele não requerem uma fuga da realidade, mas, ao contrário, dar a Deus aquilo que lhe pertence” (Angelus, 22 out. 2017).

É neste sentido que podemos compreender o tema proposto para a vivência deste mês extraordinário – “Batizados e enviados em missão”. Todo batizado é, por exigência de seu batismo, missionário. Colocando-se no mundo e assumindo as mais diversas tarefas, o cristão faz Cristo presente anunciando com o testemunho da vida a Boa Nova da Verdade.

São Lucas, ao narrar o chamado de Pedro, Tiago e João (cf. Lc 5, 1- 11), o faz na cotidianidade da vida destes homens. Frustrados por uma noite inteira de trabalho sem frutos, acolhem as palavras de Jesus e, rompendo com o modo comum de fazer as coisas, lançam as redes. A ação evangelizadora da Igreja necessita de homens e mulheres que tenham a mesma atitude destes discípulos, que ao ouvirem a ordem do Senhor: “Faze-te ao largo” (Lc 5,4), sejam ousados e confiantes e lancem as redes da Palavra e do testemunho.

O Concílio Vaticano II, muito se preocupou com a renovação desta urgente realidade eclesial. No Decreto Ad gentes ensina que “a Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária, visto que tem a sua origem, segundo o desígnio de Deus Pai, na ‘missão’ do Filho e do Espírito Santo” (n. 2).

Assim, adverte o Concílio, “todos os fiéis cristãos, onde quer que vivam, têm obrigação de manifestar, pelo exemplo da vida e pelo testemunho da palavra, o homem novo de que se revestiram pelo Batismo, e a virtude do Espírito Santo por quem na Confirmação foram robustecidos, de tal modo que os demais homens, ao verem as suas boas obras, glorifiquem o Pai e compreendam, mais plenamente o sentido genuíno da vida humana e o vínculo universal da comunidade humana” (Ad Gentes, 11).

Diante disto, se faz necessário reforçar que todo batizado, consciente de sua vocação missionária, deve pautar sua vida na vivência do Evangelho e na contemplação da realidade divina, a fim de levar a vida terrena em plenitude e enfrentar com coragem os desafios impostos por uma sociedade cada vez mais distante de Deus, convertendo não pela persuasão, mas por atração.

Nova Friburgo-RJ, 01 de outubro de 2019

Dom Edney GouvÍa Mattoso
Bispo Diocesano de Nova Friburgo


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