A luz da verdade

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Caros amigos, em tempos que a comunicação adquire grande poder de persuasão, seja pela velocidade em propagar informações, seja pela liberdade conquistada por todos em manifestar suas opiniões, a defesa da verdade deve ser um imperativo assumido por todo homem de bem.

É comum notar que muitas informações que nos chegam através da grande mídia passam a falsa impressão de imparcialidade, porém é visível uma articulada orquestração que transmite ao grande público somente as informações filtradas por uma fina malha de interesses.

Na Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações, o Papa Francisco alertou para este sintoma típico da alteração da verdade, tanto no plano individual, como no coletivo. E advertiu: “Se nos mantivermos fiéis ao projeto de Deus, a comunicação torna-se lugar para exprimir a própria responsabilidade na busca da verdade e na construção do bem” (24 jan. 2018).

A falsa ideia de que “cada um tem sua própria verdade” revela a tendência de transformar a rede de comunicação em uma grande arena. Em suma, se percebe que a preocupação com a Verdade em si, está esmagada sob o peso do subjetivismo e do individualismo.

Neste sentido se faz necessário lembrar a essência da verdade, negada há muito pela tendência relativista.

A Verdade só pode ser dita de modo absoluto quando se refere a Deus. Deus é a Verdade (cf. Jo 14,6), sendo o criador de todas as coisas verdadeiras. Não há n’Ele mentira, nem duplicidade, nem erro. Nosso Senhor, sempre disse a verdade e abominava todo tipo de dissimulação. Do mesmo modo, nós também somos feitos pela Verdade, capazes de conhece-la, sedentos e predestinados a permanecer eternamente na Verdade, que é Deus.

Nossas relações fraternas devem ser relações de verdade e sinceridade plenas. Quando um cristão procura a verdade e quer vivê-la, torna-se um sinal meridiano da presença de Deus, sobretudo em um mundo marcado pelo pecado, que é mentira e falsidade.

Sempre existe o perigo de uma vida de aparências. Os vícios em geral alimentam-se deste “querer viver” uma ilusão que seja mais conforme nossa vontade. Ao contrário, fazer a vontade de Deus é procurar a libertação de todos os vícios e de toda mentira, desfazendo-nos de todos os projetos ilusórios, restaurando com a verdade todas as nossas relações pessoais, e estarmos sempre dispostos a recomeçar, com melhores disposições e mais abertos à graça de Deus.

Um propósito concreto para este tempo pode ser o de não mentirmos, não querermos que os outros tenham uma ideia mais elevada de nós mesmos que vá além da realidade.

Viver na verdade não é uma tarefa fácil, mas traz paz. Por ela, o cristão é capaz de travar uma luta até a morte. Assim aconteceu com todos os mártires católicos. Mas esta guerra, que é antecipada no coração que combate contra o pecado, é o único caminho legítimo para a paz e a única via para a liberdade.

Sejamos sempre amantes da verdade. Não nos deixemos iludir pela aparente facilidade e tranquilidade da mentira, nem sejamos seus propagadores! Mas vivendo “como em pleno dia”, demos, em tudo, testemunho da luz da Verdade que é Jesus Cristo.

Nova Friburgo-RJ, 24 de setembro de 2019

Dom Edney GouvÍa Mattoso
Bispo Diocesano de Nova Friburgo


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