Olhar para frente

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Querido irmãos e irmãs, na última semana comemoramos 202 anos de fundação desta querida cidade, que tão calorosamente me acolheu. Por isso, neste artigo quero em primeiro lugar parabenizar a todos os irmãos friburguenses que construíram esta história de esperança e superação.

Olhando e recordando o passado nos deparamos com homens e mulheres que, alimentados pela esperança de uma vida melhor, deixaram a Europa de modo muito sofrido e vieram se reconstruir, reconstruir a própria história nestas terras. Com confiança e força semearam o “Morro Queimado” com as sementes da fé. Aqui chegaram pastores luteranos, os padres católicos e um povo marcado pelas palavras transformadoras do Evangelho.

Recordamos com muito carinho os primeiros moradores destas terras que trouxeram uma herança de fé e de fraternidade tão bonita e construíram esta comunidade de bem. A história nos conta que as famílias viviam unidas, rezavam e se comunicavam bem com seus vizinhos. Traduziam bem as palavras “uma só alma e um só coração” (At 4, 32).

A doutrina social da Igreja nos ensina que o fundamento de toda sociedade que zela pelo bem comum é a dignidade, a unidade e a igualdade entre todas as pessoas (cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 164). Por isso é fundamental que os princípios evangélicos se difundam em todos os âmbitos sociais.

Neste sentido afirma-se que “evangelizar o social é, pois, infundir no coração dos homens a carga de sentido e de libertação do Evangelho, de modo a promover uma sociedade à medida do homem porque à medida de Cristo: é construir uma cidade do homem mais humana porque mais conforme com o Reino de Deus” (idem, 63).

Infelizmente, o mundo moderno tem sempre mais abandonado as tradições deixadas por nossos antepassados e incentivando pensamentos egoístas e individualistas, afastando-se dos princípios que são capazes de construir um mundo de paz e fraternidade. Grande maioria dos indivíduos não se preocupam mais com o bem alheio, mas somente consigo mesmo. A fraternidade deu lugar à aversão, a igualdade à inveja e o amor ao ódio.

Por isso, rezemos para que a humanidade retome o espírito do passado, e reconstrua um mundo melhor e mais fraterno. Neste tempo de isolamento social, reunidos em família vamos aproveitar e refletir sobre os princípios que nossos pais nos deixaram e que estamos perdendo. Assim, marcados pelo passado, construir um futuro cheio de paz, esperança e amor.

Parabéns à Nova Friburgo! Parabéns a todos friburguenses que, marcando o presente com suas vidas, constroem uma nova cidade onde não se olhe somente o progresso econômico mas, sobretudo, o progresso da paz e da vida nova.

Nova Friburgo-RJ, 20 de maio de 2020

Dom Paulo Antônio De Conto
Administrador Apostólico da Diocese de Nova Friburgo


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