O verdadeiro fruto do trabalho humano

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Queridos irmãos e irmãs, iniciando o mês de maio comemoramos o Dia do Trabalhador. Originalmente a festa remonta ao dia 1º de maio de 1886, quando uma greve foi iniciada na cidade norte-americana de Chicago, com o objetivo de conquistar condições melhores de trabalho, principalmente a redução da jornada diária, que chegava a até 17 horas, para oito horas. Posteriormente, o movimento se espalhou pelo mundo inteiro, afim de conquistar os direitos que garantiam a dignidade dos trabalhadores.

O Papa Pio XII, como forma de inserir um sentido cristão à comemoração, em 1955 instituiu a memória de São José Operário. Anexando a memória do patriarca da família de Nazaré ao Dia do Trabalhador, a Igreja nos faz recordar que o labor humano, ordinário e cotidiano, quando unido a Cristo, é um caminho de santificação pessoal e social, pois, como fermento no meio da massa, o trabalhador é chamado a encarnar sua vida cristã no meio do mundo por meio de sua atividade laboral.

É neste sentido que afirmamos que devemos trabalhar coletivamente como irmãos, com sentimento de corresponsabilidade, movidos não somente pela fé, mas também pela solidariedade humana, em plena consciência de que sozinhos não temos condições de seguir em frente.

Infelizmente, muito de nós temos nos omitido desta responsabilidade, vivendo apáticos às tristes realidades dos que sofrem sem condições dignas para a vida. Não podemos nos silenciar e nos manter afastados dos problemas do mundo. Anunciar e denunciar é uma exigência do nosso discipulado.

A cada momento da história surgem novas urgências para se preservar o bem-comum e a dignidade humana. “Essas exigências referem-se, antes de mais, ao empenho pela paz, à organização dos poderes do Estado, a uma sólida ordem jurídica, à salvaguarda do ambiente, à prestação dos serviços essenciais às pessoas, alguns dos quais são, ao mesmo tempo, direitos do homem: alimentação, morada, trabalho, educação e acesso à cultura, saúde, transportes, livre circulação das informações e tutela da liberdade religiosa. Não se há de olvidar o aporte que cada nação tem o dever de dar para uma verdadeira cooperação internacional, em vista do bem comum da humanidade inteira, inclusive para as gerações futuras” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, 166).

Neste momento específico da história, somos conscientes das inúmeras dificuldades do Estado de cumprir com suas obrigações. O colapso gerado pela crise mundial atinge de modo eminente os menos favorecidos. É hora de agirmos concretamente a partir de experiências de companheirismo, de fraternidade, de participação mútua em um grande empreendimento comum.

O anseio de uma sociedade mais humana e justa se concretizará por meio de cada um de nós praticando o exercício da liberdade em defesa dos direitos e da prática dos deveres, em busca do bem comum.

As precárias condições de trabalho e saúde em nosso país se têm evidenciado com a pandemia gerada pelo coronavírus. O que podemos fazer para mudar esta realidade de modo definitivo? É certo que muitas respostas poderão surgir a partir deste questionamento. Mas o que precisamos de fato é mais prática do que teoria.

Reclamamos, criticamos, porém esquecemos que a diferença está naquilo que nos propomos a fazer. Se planto pequenas coisas, pequenas coisas vou colher. Vamos “arregaçar as mangas” e fazer deste triste momento uma alavanca para construir um mundo mais justo e fraterno.

Nova Friburgo-RJ, 05 de maio de 2020

Dom Paulo Antonio De Conto
Administrador Apostólico da Diocese de Nova Friburgo


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