Seminário Diocesano promove 1ª Mesa Redonda de Filosofia da Educação

Diocese de Nova Friburgo, 03 de junho de 2020
Acessos: 80


Na última quinta-feira, 28/05/2020, ocorreu a 1ª Mesa Redonda de Filosofia da Educação, do curso de Filosofia do Seminário Diocesano Imaculada Conceição – Nova Friburgo/RJ, com o tema: “Educação em tempos de Pandemia”. O evento aconteceu de forma virtual, contando com a participação de diversas ramificações da área educacional: secretária de Educação, diretores, professores e alunos; todos de diversos munícipios e estados.

O tema da discussão se faz muito pertinente devido à atual situação em que o mundo se encontra, enfrentando a pandemia da COVID-19. O que mobilizou o interesse e despertou o desejo de uma mesa redonda, cujo material da conversa fosse a educação e os seus efeitos em tempo de isolamento social, foi o prognóstico verificado durantes as aulas de um tempo diferenciado, não só na educação, mas, também, nela. Tempo que chegou e não pediu licença, levou todos os seus agentes a um lugar, até então, desconhecido.

O norte da reflexão, com isso, foi: O que é a educação em tempos de angústia, incerteza, medo, sofrimento e solidão? Qual é o lugar, e o seu efeito no mundo, da educação, na vida dos estudantes e professores (assim como na vida de todo o colegiado), onde a vivência exige uma reinvenção que, até então, era inesperada ou prevista?

A proposta foi abraçada pelos estudantes concluintes do curso: Daigo Oliveira, Igor da Costa, Lucas Campanaro e Vinícius Oliveira, acataram a ideia do professor e se puseram aos trabalhos. Cada estudante, com isso, contribuiu com aquilo que estava dentro de seu alcance e possibilidade, questões tecnológicas, protocolares, textuais, entre outras. O seminarista Daigo conduziu o evento, saudando os participantes e fazendo a intermediação entre as colocações. A fala, portanto, dos convidados seguiu de forma expositiva, cada um conseguiu apresentar as suas realidades, seja do lugar que ocupa no processo educacional, seja de sua localização geográfica – realidade escolar pública ou privada.

Margareth Carvalho, diretora do Colégio Estadual Capitão Godoy, Volta Grande – MG, expôs que está sendo um tempo de inovação, um tempo de se reinventar perante tudo o que acreditava-se ter conhecimento e, muito embora houvesse uma resistência pessoal ao sistema de educação não presencial, há virtudes que estão sendo percebidas neste processo que, em Minas Gerais, está em sua fase inicial. A professora de sociologia Thays Costa, membro do corpo docente do mesmo colégio, se diz muito preocupada com as avaliações dos alunos e como estas se darão; percebeu que este momento não caracteriza o ideal de educação, mas está servindo como um meio para que esta continue em tempos difíceis. A professora usou da metáfora da água entre as pedras, o que sugeriu ser os desafios da educação neste período – aquilo que tenta sobreviver e acontecer mesmo em tempos confusos.

A participação do Pe. Mauro Sérgio Nunes, atual Pároco da Paróquia Nossa Senhora do Desterro - Quissamã/RJ, e professor de Filosofia e Língua Portuguesa no Colégio Estadual Visconde de Quissamã, no mesmo município, trouxe o cenário de desigualdade do acesso à informação e na qualidade do ensino prestado e aprendido pelos alunos da rede pública de ensino.

O professor Wilton Machado pôde comentar o assunto tendo a visão sobre dois aspectos: educação publica versus educação privada, visto que este é professor nas duas redes de ensino, além de explicar a diferença entre “educação não presencial” e “educação à distância. Wilton contextualizou o cenário apresentando a obra Amor em tempos de cólera, de Gabriel Garcia Márquez, dizendo que a educação neste momento, muito embora se distancie de sua causa e finalidade, há de sobreviver a isso que podemos entender como cólera.

Luciana Carvalho, professora do Colégio CÊFEL/IGP e, também, mãe de duas crianças, disse das dificuldades encontradas nos dois lados da moeda. Do ponto de vista profissional se disse preocupada com o desinteresse dos alunos em adquirir conhecimento, tendo receio de não estarmos formando alunos pensantes. Do ponto de vista materno, diz perceber a preguiça dos alunos mesmo quando estes têm a oportunidade do ensino e, também, ressaltou a vantagem de ser professora e mãe em um momento desses, o que verifica ser uma virtude, colocando, na discussão, o lugar da família no processo ensino-aprendizagem.

Contamos também com a participação de Marcella Peixoto, de Nova Friburgo, aluna da professora Luciana e do professor Rubens, que nos deu o ponto de vista de ser aluno em meio a todas essas questões acadêmicas e disse, ainda, sentir falta da escola, pois esta não é somente um ambiente de aprendizagem mas também de convivência.

O professor Luis Otávio de Almeida Lemgruber atual diretor do Colégio Estadual Maria Marina Pinto Silva, localizado em Trajano de Moraes, destacou um ponto positivo da situação, disse estar mais próximo do corpo discente da escola em que administra, tendo em meio à situação desconfortante do mundo, uma oportunidade de ter um “contato” maior com os alunos, visto que, antes, não era tão assíduo. A atual secretária de educação do município de Macuco, Luciana Boaretto, expôs as dificuldades iniciais do processo, porém diz ter mais pontos positivos do que negativos para destacar, incluindo um desses pontos o grande aumento da participação e envolvimento da família dos alunos nas atividades escolares.

A professora Lívia Maria Mastrangelo e o professor Leonardo Werly, que também lecionam no Seminário Diocesano, se demonstraram muito contentes pelo convite, por estarem tendo a oportunidade de ouvir tantos colegas da área de diversas realidades educacionais. Lívia destacou que percebe a surpresa, enquanto professora, em ter de aprender, repentinamente, a lidar com os meios tecnológicos, sendo esta uma matéria que não se apreende na formação docente. Leonardo já possui uma experiência no ramo, pois é professor da Universidade do Norte do Paraná (UNOPAR), entretanto, disse não esperar por essa situação e expôs a diferença das diversas escolas que leciona, as da zona urbana e rural. Lembrou ainda das consequências sociais, sendo a escola, para muitos alunos, o único local de convivência e até mesmo de alimentação diária.

Com isso, considerando o limite de tempo, foi provocado pelo professor Rubens Antonio do Couto Junior, em que medida o ensino tende a oferecer elementos à existência humana, para a lida com a falta daquilo que constituí o significado do sujeito no mundo. O professor se demonstrou preocupado com o lugar da formação frente à constituição do Eu e propôs, em tempos de abertura ao pensar, a importância de se recolocar na didática a vivência da falta e do vazio, enquanto modalidades e estrutura de ser, a fim de que, em tempos sombrios, falte a presença, a convivência, o ensino, o trabalho, o lazer, o carinho, o afago, o encontro, mas não falte ao homem a sua própria companhia.

A mesa redonda terminou, acredito, cumprindo a sua proposta: abrindo uma discussão em que todos estamos lançados. Muito mais que responder, ela se propôs a pensar e, por isso, apresenta mais questões do que se tem a pretensão de respondê-las.


Texto:Seminarista Igor da Costa
Foto:Seminarista Igor da Costa

 


Compartilhe