O Batismo e a fé

A voz do pastorCaros amigos, neste último domingo, com a Solenidade do Batismo do Senhor, encerrou-se o tempo litúrgico do Natal. Durante estas semanas, fomos convidados a meditar as grandes manifestações de um Deus que se faz próximo de nós.

Na grande epifania do Natal, a Mãe apresenta seu Filho aos pastores, revelando a sua natureza humana. Ao se fazer homem, o divino se faz próximo, recolhendo em sua própria carne as angústias e os sofrimentos da humanidade.

Na adoração dos Magos (cf. Mt 2, 1-16), segunda manifestação da divindade do Menino nascido em Belém, Deus revela-nos que a salvação não se restringe a um povo ou a uma nação. Todos os homens tornam-se herdeiros da vida eterna, legítimos irmãos de Cristo, filhos do mesmo Pai que está dos céus.

A terceira epifania deste tempo do Natal, é o Batismo do Senhor. Ao se deixar batizar por João, Jesus santificou as águas do Rio Jordão, “para assim nos iniciar nos sacramentos mediante o Espírito e a água” (São Gregório de Nazianzo).

Ensina o Catecismo da Igreja Católica que “pelo Batismo somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus: tornamo-nos membros de Cristo e somos incorporados na Igreja e tornados participantes na sua missão” (n.1213). Somos inseridos numa realidade nova e assumimos a responsabilidade de sermos verdadeiras epifanias do poder redentor de Cristo.

A voz do Pai que se fez ouvir nas margens do Jordão - “Eis meu Filho muito amado em quem ponho minha afeição” (Mt 3,17) - se faz ouvir todos os dias quando um novo filho de Deus renasce das águas santificadas do Sacramento do Batismo.

A Sagrada Escritura testemunha que “quem crê e for batizado será salvo” (Mc 16,16). Portanto, a fé é a base de todas as nossas relações com Deus e resposta livre do homem à iniciativa de divina, força que nos conduz às realidades salvíficas. Deve ser alimentada pela oração e testemunhada pela caridade, pois “a fé sem obras é morta” (Tg 2, 26).

Hoje em dia, a todo instante somos bombardeados por uma variedade de propostas, ideias e conceitos, os mais diversos e contraditórios possíveis. A universalidade da Verdade é posta em dúvida pelo pensamento moderno. Em meio a esse vozerio, é difícil perceber imediatamente onde está o certo e como diferenciá-lo do errado.

A luz da fé não somente ilumina a inteligência, mas introduz o homem numa vida nova com Deus que “plasma toda a existência humana segundo a novidade radical da ressurreição. Na medida da sua livre disponibilidade, os pensamentos e os afetos, a mentalidade e o comportamento do homem se purificam e se transformam lentamente, em um processo que não se cumpre totalmente nesta vida” (Porta Fidei, 6).

A força vital da fé é a segurança que o coração humano procura. Seu primeiro e essencial anúncio é o testemunho dos cristãos que, ao descobrirem a maravilhosa vida no Espírito, impregnam suas ações com o poder da caridade, fermento transformador do mundo inteiro e suas repercussões sociais, culturais e políticas.

Somos partícipes da missão de Cristo – iluminar e dar sabor a este mundo ferido pelo pecado (cf. Mt 5, 13-14). No Batismo, nos tornamos centelhas do amor de Deus que deve se manifestar a todos os homens. Transformemos, com o auxílio da Graça, nossas ações cotidianas para que sejam verdadeiras epifanias, reveladoras do poder salvador daquele que, com sua morte e ressurreição, nos libertou do pecado.

Dom Edney Gouvêa Mattoso, Bispo Diocesano de Nova Friburgo