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A voz do pastor

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“Que todos sejam um” (Jo 17,21)

A voz do pastorCaros amigos, o conteúdo da fé cristã não é algo alheio à vida do homem. Deus, em sua infinita bondade, ao revelar-se a si mesmo e manifestar os desígnios de Sua vontade aos homens (cf. Ef 1,9), ilumina e dá sentido à existência humana (cf. Fides et ratio, 14). É neste sentido, que o Concílio Vaticano II afirma que na encarnação do Verbo Divino, o Pai manifesta Seu amor a toda criação e esclarece verdadeiramente o mistério do homem revelando sua vocação sublime de participação no Mistério Trinitário (cf. Gaudium et spes, 22, Dei verbum, 2).

As respostas aos questionamentos sobre o sentido da vida que urgem no coração de cada homem e mulher desde o início da história, dependem da orientação que cada um dá a sua própria existência. A doutrina católica, no entanto, afirma, sem risco de dúvida, que a razão iluminada pela fé é o único caminho que poderá conduzir o homem ao pleno conhecimento de si (cf. Fides et ratio,1).

Toda a vida cristã é marcada pelo mistério de um Deus que é comunidade. “O Pai, por Cristo no Espírito, santifica a Igreja e, por ela, o mundo” (Puebla, 916). No Batismo, porta de entrada para os demais sacramentos, é invocado o Deus Uno e Trino sobre os que serão batizados, consagrando-os e inserindo-os na comunhão divina.

A Igreja, no último domingo, celebrou a Santíssima Trindade, uma solenidade litúrgica que nos leva a contemplação do mistério do qual derivamos e fim último de toda a criação. Celebrar o dogma trinitário é, ao mesmo tempo, renovar a consciência de que é pela comunhão divina que se dá a missão de cada batizado de se fazer um com Deus e com o próximo.

O Santo Padre, o Papa Francisco, ao refletir sobre o mistério trinitário afirma que Deus é uma ‘família’ de três Pessoas que se amam tanto a ponto de formar uma só. Esta ‘família divina’ não está fechada em si mesma, comunica-se na criação e na história e entrou no mundo dos homens para chamar todos a fazer parte desta família divina (cf. Ângelus, 22/05/2016).

Compreendemos, deste modo, que a unidade querida por Deus (cf. Jo 17,20s) não é uma uniformidade ou supressão das diferenças. Na verdade, toda a riqueza da unidade em Deus é manifestada pelas diferenças, quando vividas na caridade. Como lemos na Carta de São Paulo aos Efésios: “Exorto-vos, pois, que leveis uma vida digna da vocação à qual fostes chamados, com toda a humildade e amabilidade, com grandeza de alma, suportando-vos mutuamente com caridade” (Ef 4, 1-6).

Embora sejamos muitos, no Batismo fomos incorporados em um só corpo, chamados a viver em comunidade, respeitando as diferenças de dons e carismas, na certeza de que o Espirito que nos vivifica é um e o mesmo (cf. 1Cor 12, 4-7). Desde a sua origem, a Igreja testemunha esta verdade de fé, apresentando-se com uma grande diversidade proveniente não só da variedade dos dons de Deus, mas também da multiplicidade de povos e culturas que vivem a mesma fé (cf. Catecismo da Igreja católica, 814).

Contudo, o projeto de unidade deve se estender para toda “relação social, da família às amizades e aos ambientes de trabalho: trata-se de ocasiões concretas que nos são oferecidas para construir relações cada vez mais ricas humanamente, capazes de respeito recíproco e de amor abnegado” (Papa Francisco, 22/05/2016).

Contemplando, pois, o mistério da Santíssima Trindade esforcemo-nos para, na vivência do nosso batismo, construir a unidade na diversidade pela prática da mesma fé, esperança e caridade.

Dom Edney Gouvêa Mattoso, Bispo Diocesano de Nova Friburgo

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Pensamento da Semana

 O que nos dá alegria e nos aproxima de Deus devemos buscar para os irmãos.

Dom Edney Gouvêa Mattoso