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Procurai a paz com todos

A voz do pastorCaros amigos, a boa convivência é parte essencial de nossa vocação cristã. Sua fonte é a perfeita comunhão das Pessoas da Santíssima Trindade e sua finalidade é a reconciliação de todos os corações em Cristo, base daquela civilização do amor que todos queremos.

Assim, a união com Deus é causa de concórdia entre as pessoas, e sua negação provoca a divisão e a intolerância entre os semelhantes. Somos concordes que queremos viver em harmonia com todos. Entretanto, não é raro perceber que também cultivamos sentimentos e ações que não combinam com este ideal.

A Palavra de Deus exorta: “Procurai a paz com todos e a santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12,14) e “mantende um bom entendimento uns com os outros” (Rm 12, 16). Quando não enxergamos o próximo sob a perspectiva de Deus, mas pelas “lentes” de nossos próprios interesses, ferimos esta paz.

São João Paulo II procurou elencar alguns elementos em sua Exortação sobre a Reconciliação e a Penitência na Missão da Igreja hoje: “Ao indagar sobre os elementos geradores de divisão, observadores atentos apontam os mais variados: desde a crescente disparidade entre grupos, classes sociais e países, aos antagonismos ideológicos, ainda não extintos; desde a contraposição dos interesses econômicos às polarizações políticas; desde as divergências tribais às discriminações por motivos sociorreligiosos” (Reconciliatio et Paenitentia, 2).

É sempre difícil conviver com as diferenças e, no entanto, este é nosso ambiente natural. Portanto, a paz com os vizinhos, com os amigos e, sobretudo, na família não é puramente resultado dos elementos convergentes de nossos ideais e comportamentos, mas do mútuo entendimento, da tolerância e do amor recíproco. Em suma, a concórdia fraterna é sempre um esforço, uma meta, uma missão!

Somos chamados a promover a paz! Como nos ensina nosso Redentor: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9) e ainda: “Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é a maneira do mundo que eu a dou” (Jo 14, 27). A verdadeira paz tem sua raiz na comunhão da Trindade Divina. Por isso, precisamos também dizer que não é possível a autêntica comunhão fora da justiça e da verdade.

“Jogai fora o velho fermento, para que sejais uma massa nova, já que sois ázimos, sem fermento. De fato, nosso cordeiro pascal, Cristo, foi imolado. Assim, celebremos, a festa, não com o velho fermento da maldade e da iniquidade, mas com os pães ázimos da pureza e da verdade” (ICor 5, 7-8).

Assim como a vida em comunhão parece ser um ideal querido no coração, e, muitas vezes, negado nas ações, também a veracidade sofre semelhante contradição. Ninguém gosta de ser enganado, contudo, é comum a mentira aparecer como escudo dos interesses particulares. Um escudo frágil e ineficaz, porém muito utilizado.

A paz advinda do engano não durará para sempre. Somente será perene aquela fundamentada na fortaleza de dizer, procurar e viver a verdade. Por isso, promover uma “paz de aparências” não é virtude, é vício! O verdadeiro pacífico é aquele que se deixa vencer pela verdade, que a procura em seu caminho e a encontra no Senhor, mesmo que à custa de uma radical mudança de vida.

Desejo que todos procurem a verdade para que assim vivam em paz uns com todos!

Dom Edney Gouvêa Mattoso, Bispo Diocesano de Nova Friburgo

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Pensamento da Semana

 O que nos dá alegria e nos aproxima de Deus devemos buscar para os irmãos.

Dom Edney Gouvêa Mattoso