“Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus” (Lc 6, 20)

A voz do pastorQueridos amigos, vivemos em um tempo de grande contradição aos conselhos evangélicos. A todo instante somos agredidos com notícias de corrupção e de abusos na administração pública. O Brasil é um país no qual a pobreza extrema voltou a crescer em contraposição às enormes cifras desviadas pelos esquemas fraudulentos e salários exorbitantes que poucos recebem.

É muito oportuno, portanto, a celebração do Dia Mundial do Pobre, que o Papa Francisco instituiu para o dia 19 de novembro. Este terá como objetivo um convite à reflexão de uma realidade profundamente enraizada no mundo, na história da fé e que sempre bate à nossa porta levando-nos aos mais elevados sentimentos de caridade e esperança. Assim, é de suma importância que além de traçarmos estratégias de assistência aos mais carenciados, criemos uma nova visão de vida e sociedade.

Não se pode negar que a origem e o avanço da pobreza estão relacionados às lógicas perversas do poder e do dinheiro. “Em nossos dias sobressai cada vez mais a riqueza descarada que se acumula nas mãos de poucos privilegiados, frequentemente acompanhada pela ilegalidade e a exploração ofensiva da dignidade humana” (Papa Francisco, mensagem para o I Dia Mundial dos Pobres).

Nos Evangelhos encontramos a compaixão de Jesus pelos mais pobres. Este exemplo faz com que a Igreja se comprometa com a opção preferencial por esses irmãos, cuidando de suas necessidades e defendendo o bem comum e a dignidade da pessoa humana, desde seus primeiros instantes até o seu fim natural. Recordemos que a promessa do Reino dos Céus é reservada aos pobres em espírito (cfr. Mt 5,3). Pobreza esta que implica na humildade de coração, no acolhimento da condição limitada e pecadora de todo homem e na compaixão, que renuncia pensar somente em si e se solidariza com todos.

Precisamos combater a discriminação, que fere de morte os mais pobres, e anunciar a verdade de Cristo, pois, com a ajuda de Deus, a transformação social em nosso país é possível!

Termino com uma urgente reflexão do Papa Francisco: “As reivindicações sociais, que têm a ver com a distribuição dos rendimentos, a inclusão social dos pobres e os direitos humanos não podem ser sufocados com o pretexto de construir um consenso de escritório ou uma paz efêmera para uma minoria feliz. A dignidade da pessoa humana e o bem comum estão por cima da tranquilidade de alguns que não querem renunciar aos seus privilégios. Quando estes valores são afetados, é necessária uma voz profética” (EG, 218).

Dom Edney Gouvêa Mattoso, Bispo Diocesano de Nova Friburgo