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Setembro, mês da escuta


No primeiro domingo de setembro, a liturgia da Igreja nos presenteia com um texto muito significativo para este que é o mês da Bíblia na Igreja do Brasil. Trata-se da cura que Jesus realiza de um surdo que falava com dificuldade (Mc 7, 31-37). Gostaria, portanto, de te convidar a escutar comigo o que o texto tem a nos dizer, já que mais que uma leitura, deter-se diante da Sagrada Escritura é estar de ouvidos atentos ao que o Mestre tem a ensinar.

Levaram a Jesus o deficiente auditivo para que o curasse impondo-lhe as mãos. Interessante notar que a prática de impor as mãos aparece aqui como algo recorrente nas atitudes de Jesus. Eles levam o homem até Jesus já sabendo o que iriam pedir: que impusesse as mãos. E Jesus, antes de impor as mãos, leva o homem para fora da multidão, a fim de ficar a sós com ele e para que a experiência da cura não fosse viciada pelos curiosos de plantão.

O Senhor colocou o dedo nos seus ouvidos. Jesus toca naquele homem, como pediram, e transmite nesse toque a ternura do seu afeto. Como é importante não nos esquivarmos do toque puro e cheio de afeto na vida das pessoas que nos são confiadas. Faz muita diferença!

Mas Jesus ainda faz mais. A atenção é toda voltada para o homem surdo. É como se todo o resto não importasse naquele momento, somente o encontro entre dois mundos: a divindade rebaixada e a humanidade exaltada. Quando a experiência do encontro pessoal com Cristo acontece em nossa vida, nada tem tanto valor quanto esse contato íntimo com a Pessoa do Verbo e, assim, nossa dignidade é elevada.

Caro leitor, ler e meditar com a Bíblia é replicar em sua vida o mesmo encontro que, não só aquele surdo, mas tantos outros puderam experimentar: a pecadora adúltera, a mulher no poço de Jacó, Zaqueu, Mateus, Maria Madalena, Pedro, uma vez que “na Igreja, veneramos extremamente as Sagradas Escrituras, apesar da fé cristã não ser uma ‘religião do Livro’: o cristianismo é a ‘religião da Palavra de Deus’, não de ‘uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo’” (Bento XVI – Verbum Domini, 7). Por isso, escutar a Sagrada Escritura com espírito de fé é pôr-se em contato pessoal com o Verbo e receber a cura que Ele quer realizar.

Agora, uma última palavra. De certa forma, nós nos tornamos aquilo que escutamos. O mundo hoje está cheio de palavrório sem sentido, barulho, agitação, confusão. É preciso deixar que Jesus nos conduza para fora dessa multidão e algazarra, pois só assim, longe da opinião comum, faremos a experiência libertadora e curadora do toque poderoso daquele que abre nossos ouvidos para a verdade e nos faz escutar e reter o que verdadeiramente importa. Se você está sempre irado, triste, desanimado, revoltado, com medo, pergunte-se: ao que mais tenho dado ouvidos?


Nova Friburgo-RJ, 08 de setembro de 2021


Pe Celso Henrique Macedo Diniz
Administrador Paroquial da Paróquia Santo Antônio e Cristo Ressuscitado (Prado – Nova Friburgo)


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