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A Espiritualidade Mariana: Sinal do Deus da Vida no meio do Povo


“Ave Cheia de Graça, Ave cheia de amor, Salve a Mãe de Jesus a ti nosso canto e nosso louvor”. Com essa frase de um belo canto mariano queremos expressar toda alegria dos cantos e recantos do Brasil em celebrar no cotidiano da vida, apesar de toda dor e todo sofrimento, o grande amor para com a Mãe de Jesus. Manifestamos esse sentimento através de terços, ladainhas, procissões que são dirigidas a ela em sinal de gratidão.

A espiritualidade Mariana nasce no seio do povo e é vivida nas festas, procissões, peregrinações, nos santuários e no lar, na rua e na escola. Sempre em suas necessidades, o povo invoca a Mãe de Deus a fim que ela o escute. Por isso, o grande número de devoções e práticas religiosas que a cada dia surge em torno de Maria.

A Igreja reconhece e celebra em seu cotidiano os acontecimentos de Maria, por isso lhe presta um culto especial de veneração, valorizando assim a sua fidelidade ao Amor de Deus na sua vida e na história da humanidade. Ela é modelo e exemplo de acolhida ao projeto de Deus.

Maria, durante toda a sua vida acolheu, recebeu e aprofundou a Palavra de Deus e à atuação do Espírito Santo na sua vida: “Faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1, 38). Ela escuta atenta a Palavra e no silêncio do seu coração deixa brotar a Graça de Deus, a ponto de gerar no seio da humanidade e dentro do seu próprio ventre a vida do Salvador.

É necessário e importante lembrar que a espiritualidade Mariana é aquela que nos leva a um autêntico amor filial e não apenas a um estéril e transitório afeto, e deve nos conduzir à imitação e não se limite somente à invocação. A espiritualidade autêntica deve levar a conhecer, amar e imitar a Mãe de Jesus, e, por ela, a seu Filho, pois a espiritualidade Mariana deve sempre nos levar a Cristo. E como ela nos ensina: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5). Maria é “sinal de esperança e de conforto” (Cap. 8, n. 68, LG) para o “Povo de Deus peregrino”. O Mistério do amor de Deus não se esgota, mas se transborda naqueles que têm como Mãe aquela que é exemplo de fidelidade e dedicação a Jesus.

Concluímos com um poema de Carlos Mesters, Doutor em Teologia Bíblica:


O Andor de Nossa Senhora

A história do Brasil parece um imenso andor de Nossa Senhora, carregado pelo povo humilde, através dos tempos. O povo não aparece, nem carrega placa de nome no peito. Faz questão é de ficar escondido, atrás do nome de Maria e atrás dos enfeites e das flores, que caem pelos lados do andor até o chão. O que aparece e deve aparecer é o nome e a imagem de Nossa Senhora, aclamada e invocada por milhares de vozes que, lá de baixo, choram e gritam, sem parar, Ave Maria!

Carregando o andor de Nossa Senhora, o povo carrega pelas ruas a sua esperança de um dia poder chegar lá onde Nossa Senhora já chegou, isto é, gozar da liberdade total dos filhos de Deus. Carregando a imagem de Maria, o povo dá a todos a prova concreta de que, caminhando com Deus, é possível realizar esta esperança. A história de Maria é a imagem do povo humilde. É uma história que ainda não terminou. Continua, até hoje, nas pequenas e grandes histórias deste povo, que anda escondido de baixo do andor, rezando sem parar a Ave Maria.


Nova Friburgo-RJ, 30 de maio de 2020


Pe. Marco Antonio da Silva Zanco
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Glória, Carapebus - RJ


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