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Dom Alano Maria Pena - Que todos sejam um


A Diocese de Nova Friburgo completou 60 anos da sua fundação, tendo como primeiro Bispo Diocesano Dom Clemente Isnard, OSB. Dom Alano Maria Pena, OP, tomou posse como segundo Bispo Diocesano no dia 23 de janeiro de 1994. Desde a sua posse, primeiramente empenhou-se em reorganizar o Seminário Diocesano.

A partir de 1995, continuando o trabalho desempenhado no seminário, no bairro de Duas Pedras, atribuiu-lhe o título de Nossa Senhora de Rosa Mística, trazendo cursos que antes se sediavam em Niterói. Eram lecionados o Propedêutico e a Filosofia em Nova Friburgo e a Teologia era ministrada em Petrópolis. Reiniciando a partir deste ano a caminhada do Seminário Diocesano dentro da Diocese de Nova Friburgo sob a batuta e orientação do Monsenhor José Luiz Bustamante Sá (Reitor), Pe. João Machado Evangelho (Prefeito de Estudos) e o Monsenhor Pedro Maia Saraiva (Diretor Espiritual).

Dom Alano possuía um carisma especial com as vocações sacerdotais e religiosas. Com a sua maneira de ser, com a maneira de acompanhar e tratar o assunto vocacional nas suas falas e homilias surgiram muitas vocações. Uma das suas grandes marcas à frente da Diocese de Nova Friburgo foi na dimensão vocacional, tanto para a vida sacerdotal, quanto para a religiosa e laical.

Dedicou-se intensamente ao trabalho com os padres, com um carinho muito grande, mensalmente reunia-se em uma paróquia previamente escolhida com os padres que tinham até cinco anos de ordenação sacerdotal. Auxiliava, realizava palestras e ainda atendia os presbíteros.

Sempre dispôs de uma grande preocupação com os padres da diocese, principalmente com os padres jovens, com a formação sacerdotal e com a fraternidade no clero. O seu lema de sagração episcopal “Ut unum sint” (Que sejam um) está pautado na unidade. Sempre se esmerou com a unidade do clero da Diocese de Nova Friburgo e era incansável nas visitas, nos períodos de enfermidade dos padres, aniversários: natalício e sacerdotal, sempre esteve presente com uma palavra de ânimo, de fraternidade. Dom Alano sempre exerceu a paternidade com os presbíteros, marca que os bispos possuem em seu ministério episcopal.

Outro grande marco era o seu carisma com a pregação, era da ordem dos pregadores, Dominicano, um grande pregador. Todos ficavam motivados com as suas pregações muito atualizadas, contextualizadas na realidade, com muito conhecimento teológico e espiritual, e muita experiência de vida. Tendo destaque na Semana Santa que era bastante comentada principalmente na cidade de Nova Friburgo, cidade sede da Diocese.

Motivou profundamente os leigos, os encontros eram muito vivos, as Unidades Diocesanas, os encontros de catequese, os agentes de pastoral eram bem motivados. Retomou as Assembleias Diocesanas, lançou para a Diocese orientações pastorais sobre os sacramentos, um material simples, porém muito eficaz e obteve grande resultado, muitos frutos.

Os trabalhos de Dom Alano à frente da diocese não se limitaram apenas ao trabalho vocacional e a reorganização do seminário, também neste período houve a criação de novas paróquias. Fazia-se presente através de visitas, principalmente nas festas dos seus padroeiros, foi muito próximo ao povo e via-se nele um pastor próximo de trato simples, trato fino que os fiéis gostavam muito. Foi muito querido pelos padres e leigos.

Em sua Missa de despedida foi notável a enorme tristeza e muita emoção, que retratou o quanto foi querido como pastor diocesano nesta diocese.

Após alguns anos, no pastoreio da Diocese de Nova Friburgo, no dia 23 de setembro de 2003 foi transferido para ser o Arcebispo Metropolitano de Niterói, na Arquidiocese de Niterói – RJ


Nova Friburgo-RJ, 28 de maio de 2020


Pe. Fábio da Cunha Felippe
Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Macaé


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