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Vivemos tempos diferentes de tudo o que vivemos antes


Sou mãe de três filhos, avó de quase sete netos. Membro atuante da Igreja desde antes do Concílio Vaticano II, e desta Diocese, antes mesmo que ela existisse – ela completou 60 anos, eu, 78.

Passamos por muitos momentos difíceis? Sim: imaginem a transição entre antes e após o Concílio? Mas, e agora, nos dias atuais? O coronavírus revirou muita coisa: templos abertos, mas sem fiéis; fiéis em casa, sem ir ao templo, sem os Sacramentos.

Como foi viver a Quaresma, a Semana Santa deste jeito novo?

Foi uma experiência desafiadora: o que sempre foi presencial, teve que passar a virtual. Melhor? Pior? Claro que é incomparável estar no templo, junto aos irmãos, receber os Sacramentos, participar da Santa Missa diante do altar, de toda a Sagrada Liturgia riquíssima deste tempo.

Foi a experiência da Igreja Doméstica. Bendita Internet que nos proporcionou isso: celulares, computadores, sites, salas de TV, rádios, televisão, câmeras. Nossa sala de casa preparada, com um altar, imagens, velas, flores, a cruz. E a família arrumada como se ao templo fosse.

Eu moro sozinha, sou viúva. Mas os filhos davam feedback, ligavam com vídeo, sem vídeo. Tiravam fotos. Meus netos, acostumados a participar da Missa, estavam ali, firmes. Eu filmei homilias de meu Pároco, tirei fotos, publiquei nas redes sociais. Procurei evangelizar, animar outros a participarem ativamente também.

Em nossa Diocese, as Paróquias trabalharam intensamente: Missas diárias, Terço da Misericórdia, adoração ao Santíssimo Sacramento, novenas, Cercos de Jericó. Vários Párocos saíram pelas ruas com Santíssimo, abençoaram os ramos que enfeitavam as casas, em procissão com as imagens da Senhora das Dores e do Senhor dos Passos. Sem desrespeitar as regras de distanciamento social, de não promover aglomerações.

O povo acolhendo, participando, orando pelo fim do Coronavírus, pela cura e recuperação dos infectados com COVID-19.

Sou testemunha, porque participo, de vizinhos que se reúnem, cada qual na janela de sua casa, diariamente, para rezar o Terço da Misericórdia pelo fim da pandemia.

Mas, importantíssimo também foi ver o crescimento espiritual de muitos irmãos, e meu também. Ouvi testemunho em minha própria família de como foi bom este tempo de Quaresma/Quarentena. Descobriram tempo, que não achavam antes, de uma oração mais profunda, de meditar a Palavra de Deus. Lembro-me de me terem revelado sobre como descobriram coisas básicas da fé, dos artigos do Credo: por exemplo, a mansão dos mortos, que professamos todos os domingos.

Enfim, foi um tempo litúrgico difícil? Sim! Que saudade de receber o Senhor, ali tão vivo na Eucaristia! Mas e quem só o recebe uma vez ao ano, ou nem isso?

Que vontade de confessar! Que saudade encontrar os irmãos no Grupo de Oração.

Mas a Divina Providência deu-nos esse tempo de refletir, tomar decisões.

Esperamos, agora, que tudo passe, não para voltar ao que era antes. Temos fé: NADA SERÁ COMO ANTES! HÁ DE SER MUITO MELHOR!



Nova Friburgo-RJ, 20 de abril de 2020


Ângela Araújo de Souza
Paroquiana do Santuário Diocesano do Santíssimo Sacramento, em Cantagalo


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