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Dom Clemente Isnard - O Testemunho de um grande Apóstolo


Quero ressaltar neste artigo a grandeza da vida e missão de Dom Clemente Isnard, OSB, primeiro Bispo da Diocese de Nova Friburgo e sua importância para a formação e crescimento da nossa querida Diocese que completa agora 60 anos.

DOM CLEMENTE JOSÉ CARLOS ISNARD: grande e extraordinário homem, iluminado discípulo de S. Bento, notável bispo e ardoroso missionário da Igreja. Fui o último padre ordenado por ele para a diocese, em 14/08/1993.

Nasceu no dia 08/07/1917, no Rio de Janeiro. Teve, na sua educação cristã familiar, o exemplo de seus pais Ernesto e Zulmira Isnard, sua tia Ruth Leoni, esposa do poeta Raul de Leoni Ramos, da sua outra tia Helena Isnard, freira, fundadora do convento de Itu–SP. Assimilou conhecimentos e valores no Centro D. Vital, presidido pelo Dr. Alceu Amoroso Lima, seu amigo e incentivador vocacional; na Ação Universitária Católica, como jovem da Faculdade de Direito, no Rio de Janeiro, onde bacharelou-se.

Mas, a sua decisiva influencia mística, litúrgica, teológica e humana na sua vocação para a vida monástica foi Dom Martinho Michler, monge alemão, que, impulsionava e alimentava o movimento litúrgico no Brasil. Como monge, se manteve sempre fiel ao espírito e à regra Beneditina. Fez a sua profissão solene em 11/07/1940, no dia do Pai São Bento. Assumiu vários cargos de gestão e formação (mordomo, celeireiro, zelador de noviços e prior). Foi ordenado sacerdote em 19/12/1942.

Dom Clemente foi nomeado Bispo, pelo Papa São João XXIII, em 23/04/1960 para a recém-criada Diocese de Nova Friburgo (26/03/1960). Sua ordenação episcopal foi no dia 25/07, no Mosteiro de São Bento (RJ), presidida pelo Núncio Apostólico do Brasil, na época, Dom Armando Lombardi. Tomou posse no dia 07/08. Iniciava um fecundo ministério, no pastoreio episcopal que se estenderia por 33 anos.

Participou do Concílio Vaticano II (l962-l965) que renovou toda a vida pastoral da Igreja Católica. Dom Clemente viu e ouviu com alegria a visão teológica da liturgia de Dom Martinho e de outros grandes teólogos ser confirmada, na Constituição Sobre Liturgia Sacrosanctum Concilium. Foi nomeado pelo Papa Paulo VI para o Conselho de Execução da Sacrosanctum Concilium (1964-1969) e como membro da Congregação para o Culto Divino (1969-1975).

Foi Presidente por 19 anos da Comissão Nacional de Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em todos os trabalhos refletia os seus profundos conhecimentos, cultura e erudição, aliados à forte sensibilidade pastoral. Foi vice-presidente da CNBB (1979-1982), presidente do Departamento de Liturgia e vice-presidente do CELAM (1983-1987). Participou do Sínodo dos Bispos de 1967 e das Conferências de Puebla (1979) e Santo Domingo (1992). Foi Delegado para os Congressos Eucarísticos; Membro do Conselho Nacional de Cultura, do Conselho Estadual de Educação (RJ).

Na Diocese de Nova Friburgo, o ardoroso Sucessor dos Apóstolos organizou as diretrizes pastorais diocesanas, à luz do Concílio Vaticano II, as primeiras lançadas em 11/02/1969. Planejou e coordenou 15 Assembleias Diocesanas, para a definição das Metas Pastorais, publicadas com os Planos. Tudo isto culminou no Sínodo Diocesano de 1991 que consolidou os Estatutos Sinodais.

Percorreu todo o território diocesano: paróquias, matrizes e comunidades eclesiais filiais, em suas Visitas Pastorais realizadas durante uma semana ou mais dias, celebrando os Sacramentos, pregando, reunindo-se com os padres, conselhos e pastorais, visitando também as escolas, hospitais, prisões e outras instituições sociais e culturais, levando a sua presença e orientação de Pastor. Após mais de um ano como Administrador Apostólico da querida diocese, foi ainda servir, em 1994, como Vigário Geral na Diocese de Duque de Caxias (RJ), onde cooperou com o amigo do Bispo Dom Mauro Morelli, até 2004.

Conseguiu auxílios de órgãos nacionais e internacionais como a ADVENIAT, a CÁRITAS, a MISEREOR, o FAC. Em 1960, fundou a Cáritas Diocesana com D. Maria Mouta e o Pré-seminário Vocacional em Lumiar. Ordenou um bom número de padres, além de trazer vários religiosos estrangeiros para missão na diocese.

Dom Clemente foi uma grande voz dos mais fracos, mais pobres, contra as injustiças e o cruel regime da ditadura militar, defendendo os posseiros em Papucaia e em outras localidades e a vida de perseguidos políticos. Deixou várias obras de testemunho e ensinamento, dentre elas: Magistério Episcopal (1989); Dom Martinho (1999); Na Porta do Mosteiro (entrevista com Alexandre Gazé), 2004; Viver a Liturgia (2008), além de inúmeros artigos.

O incansável apóstolo faleceu aos 94 anos em Recife, no dia 24/08/2011, terminando sua riquíssima jornada, deixando-nos um legado de sábia fortaleza, de humildade e formação eclesial, de luta pelos direitos e promoção humana, pela justiça social, e dedicação a sua querida Messe de Nova Friburgo, iluminando tantas outras porções da Igreja no Brasil e no mundo, na vivência e preservação do Concílio Vaticano II.

Cumpriu plenamente o seu lema episcopal: "Te Pastorem Sequens" (Seguindo-te como Pastor). Seguiu a Cristo, sendo ao mesmo tempo n'Ele o Bom Pastor que deu sua vida pelas ovelhas.


Nova Friburgo-RJ, 17 de abril de 2020


Pe. Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça
Chanceler da Diocese
Assessor Eclesiástico Diocesano da Pastoral da Comunicação


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